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domingo, 28 de junho de 2020

Embaraçada


Uma semente é

Um pingo de gente
Que subitamente
Brota assim, valente
Mexe de repente
Com a vida da gente


Que tu tens em mente?
Uma semente é
Um pingo de gente
Pedaço vidente
Que cresce no ventre
De um ser complacente
Uma vida na gente


E o que você sente?
Uma semente é
Um pingo de gente
Que ainda ausente
Preenche pungente
O que inconstantemente
Na vida, dá gente
….

Como és insistente!
Uma semente é
Um pingo de gente
Que é só um pingente
Pedaço de utente
De todo um continente
De vida da gente


O que será pela frente?
Uma semente é
Só um pingo de gente
Que muda o ambiente
Mas deixa contente
Até o mais vigente
Temor penitente


Quem te deu patente?
Uma semente é
Um pedaço de gente
Que intermitente
Salpinga clemente
Todo reluzente
Nos faz comovente


Que luz renitente!
Uma semente
É pingo de gente
Que reúne parentes
Ou revolve potente
Os erros que a mente
Recorda impotente


Serei eu repetente?
Uma semente é
Um pingo de gente
Em si prepotente
Que se faz repelente
Do mal à vigente
….

Serás sobrevivente?
Uma semente é
Um ser
Uma mente
Um pingo
de Nova gente
Uma Muda
Mudo
No mundo
Que muda
Para sempre
A vida da gente

Poema premiado na Jornada literária Sobrames 2019

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As pessoas grandes



Temos uma necessidade extrema de sabermos o que acontece, o por quê acontece.
Muitas até tentamos prever o que irá acontecer.
Planejamos.
Controlamos todos os fatores ao nosso redor.
Domínio sobre o meio.
Quer saber? Não quero ser mais uma pessoa grande.
Quero ser Grande.
As pessoas Grandes não se importam com o futuro, pelo menos não com os minimos detalhes dele. Elas simplesmente vêem o presente como a maior dávida que temos.
Elas fazem o agora.
Agora.
Existiram muitas vezes nessa vida em que fui uma pessoa grande.
Mesmo criança, por vezes me via agindo como uma pessoa grande.
As pessoas grandes não nascem grandes: aprendem a ser.
De fato:


As pessoas grandes nem sempre são Grandes. 

Quem percebe a grande ironia de Antonie, entende muito bem isto.
Como um belisco discreto no orgulho adulto, ele evoca os grandes justamente como pessoas de alma pequena. Aquelas sem a alma do Pequeno Príncipe.
E nos diz, assim, discretamente, que nossa alma costumava ser maior à infância.
Por que?
Porque as crianças têm esperança.
Elas só não as têm, como são as representantes vivas dela.
Hoje entendo o que ele quis dizer: idade não quer nem de longe dizer o que é sabedoria.
Sabedoria não quer nem de longe dizer ser grande.
Pelo contrário.
O verdadeiro sábio sabe ser pequeno. Reconhece suas falhas e sabe que deixar o orgulho de lado sendo simplesmente pequeno para alguém é muitas das vezes a solução mais razoável de todas...
Portanto, digo: deixem-se ser pequenos.
No início é difícil, aceitar os que as pessoas grandes fazem com os nossos corações.
Mas todo coração de pequeno príncipe hábde ter uma rosa lhe esperando com todo amor e carinho.
Todo coração de Pequeno Príncipe há de ter um amigo aviador.
Todo coração de Pequeno Príncipe há de converter uma raposa.
Convertamos assim, as raposas do mundo com nossos exemplos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O velho Pequeno Príncipe

Imagem retirada de Rvbar
Olhei bem. E vi um pedacinho de gente extremamente extraordinário,que me considerava com gravidade. Eis aqui o melhor retrato que consegui fazer dele.
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe










            Das poucas coisas que aprendi nessa vida, um terço devo às pauladas que levei na cara, um terço ao Pequeno Príncipe. O outro terço, a gente nunca aprende, e continua errando pelo meio do caminho...
Eis que um belo dia estava em São Paulo quando fui tomada por um desejo de andar, e uma busca veio à minha mente: sebos. Nada que minha rinite alérgica desejasse tanto se instalar como de hábito, contudo a palavra veio já com missão definida:  encontrar uma velha cópia do Pequeno Príncipe. 
Isso mesmo, depois de velha, eu queria ler livro de criança...
Mas já lhe conto o que você já saber há muito tempo: o Pequeno Príncipe  não é livro de crianaa, embora me encantasse muito desde esta época. É, sim, uma das maiores obras da filosofia adulta (pelo menos assim eu o considero). 
Eu semrpe fui uma criança de ler livros, estimulada para isso. E até hoje agradeço do fundo da alma as meras letrinhas coloridas que minha mãe-madrinha colocava à minha frente. Letras que tão mais tarde me encantariam, e me envolveriam com o seu mistério, pelo qual sou instigada até hoje.
Embora já não me reste tempo agora para ler, e todos os últimos livros que li nesses anos envolviam assuntos médicos, ainda tenho em mim esse lastro, que espero profundamente um dia recuperar, quando a oportunidade se fizer presente novamente.
E num desse ímpetos, fui com a nostalgia dos meus tempos de criança alimentar a minha vontade repentina de adulta. 
E lá que descobri o Sebo do Amadeu. Ao adentrar, de imediato perguntei: 
"Tem o Pequeno Príncipe?" 
O rapaz prontamente respondeu que sim, sumiu por alguns instantes, me deixou alguns segundos por entre los ácaros e meus olhos e retornou, não sei bem de onde, com um exemplar do livro na mão.
Minha alegria logo esvaiu-se quando olhei naquela direção: novinho em folha. 
Ele viu a minha tristeza e perguntou "O que foi?" 
E já prevendo a insanidade das próximas palavras respondi:
"Eu quero um velho..."
 Eu já sabia que a maior parte do mundo me acharia louca.  Já aguardava uma pergunta do tipo."Por que? Leva o novo!..." Seguida de todas as razões lógicas do mundo contemporâneo.
Mas o Amadeu já tinha lido o Pequeno Príncipe.
Ele me disse que ia encomendar, que voltasse dali há uns dias, que ele daria um jeito. Eu achei que era meio "papo-de-vendedor" dele, mas mesmo assim, me veio uma esperança.
O Amadeu havia lido o Pequeno Príncipe.
Não desisti. Fui à outros sebos. Mas nada. Todosos vendedores vinham com a mesma cópia nova de antes. 
E eu os deixava lá, com caras e bocas de interrogação. Fui na semana seguinte. E na semana seguinte. Até que retornei com o Amadeu.
Nesse outro dia, sem a mesma empolgação de antes, perguntei.
Dessa vez ele nem saiu do lugar. Esticou o braço direito, e da estante retirou-o. 
Eu o vi.
E soube que era perfeito.
E desde então, com o princepezinho, voltei de lá diferente.
Se li meu pequeno príncipe? Sim, e algumas vezes dou umas relembradas que é para eu nunca me esquecer de como ele é. Para eu nunca me esquecer.
Às vezes a gente grande esquece...
O mais importante é que já guardo o pequeno aqui no peito andando por aí comigo.

Ainda assim, tenho vontade de caregar ele de vez em quando comigo. Melho, tenho vontade de distribuir umas cópias deste livro para algumas pessoas por aí, com partes grifadas e algumas explicações nas laterais. Colocar em alguns cartazes pela cidade, talvez. Muita pretensão minha.
Sinceramente, acho que essas pessoas seriam bem mais felizes depois de colocarem um pouco do principezinho dentro de si. 
Mas filósofo que é filósofo sabe que a filosofia tem seus próprios meios e mistérios. E contradições. Devo respeitá-los.
O que o Príncipe diz para mim, pode não ser o mesmo para você
A filosofia é um mundo de cada um.
O que posso fazer é falar do Príncipe, como falo da vida e das coisas que me vêm à telha. Permitam-me abrir uma nova página somente para ele. 
Quem sabe assim o mundo fique mais bonito.


O que torna um deserto belo, disse o princepizinho, é que ele esconde um poço nalgum lugar...
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe