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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os Segundos

Acho  incrível a capacidade que existe em poucos segundos de mudar a sua vida.
Sim, segundos.
A vida é o tempo.
O tempo uma linha infinita, sim, aos nossos olhos, contudo, não necessariamente reta.
Pontos pequenos que definem para que lado aquela linha irá virar. Pontos que fecham circulos, que fazem uma vida quadrada, que fazem você mudar de lugar.
Os pontos, que por tempo,definimos, segundos.
Os segundos, eu diria primeiros, se me fosse dado o poder da definição.
Esses segundos, preciosos segundos de intersceção, são aqueles pontos dos cantos da linha da vida.
O segundo em que você é feito.
O segundo em que você sobrevive aos possíveis inóspitos.
O segundo em que você respira pela primeira vez.
O segundo em que você têm consciência disso pela primeira vez.
O segundo que você fala.
O segundo que você cala.
O segundo que você sente a consciência.
O segundo que você a perde por entre os dedos.
O segundo em que você decide se será apenas mais um revoltado com o mundo ou consigo mesmo.
O segundo em que você decide se será um mero modal conformacionista.
O segundo que decide se você terá filhos.
O segundo que faz você aceitá-los ou não.
O segundo que te faz uma velhinha solteirona, ou aquele que deixa o seu velho chorando sozinho no mundo.
O segundo que revela um amigo.
O segundo que tira um de você.
O segundo em que você se apaixona.
O segundo em que você sabe que não vale a pena.
O segundo em que você dorme.
O segundo em que você bate a cabeça e acorda de um pesadelo.
O segundo que decide se você está vivo ou morto.
O segundo que decide como você vai viver os seus segundos.

Eis os segundos. Que giram e rodam em torno do mundo, brincando assim, como quando éramos crianças.
São tantos giros formando um emaranhado tão complexo de conexões, tão enoveladas quanto nosso cérebro.
Assim, quem iria entender. Melhor não dar conta mesmo.
No fim, se é que existe um fim nessa linha, somos marionetes de Deus. 
Não tão passivas, mas com as próprias pilhas.
Um resultado complexo de atos.
A consequencia de nossas decisões.
Sim, decisão. Não se pode culpar Deus por algo que foi você quem decidiu.
Não se pode culpar o próximo quando você meramente aceitou a decisão dele.
Eis a beleza das marionetes.
A única coisa que se pode fazer é tomar novas decisões. Trilhar novos caminhos. Mudar a direção da linha para um rumo melhor. Tracejá-la de modo diferente.
Trilhar caminhos nunca vistos, talvez.
Fazer diferente.
Pois não se pode aprender com novos passos se eles já trilharam as mesmas barreiras milhares de vezes.
Sejamos, sim, sensatos: trilhemos caminhos seguros, talvez, mas tentando sempre pisar num solo fértil. Com as pedras e com as aventuras, mas que seja fértil.
Afinal, essa é a vida que temos de preservar.
Nossa grande dádiva. Amuleto de nossa responsabilidade também.
O que se faz com o seu maior presente?
Certa vez alguém disse: não quero viver muito. Quero aproveitar bem a minha vida. Mesmo que eu não viva muitos anos.
A principio fiquei impressionada.
Um paradoxo do que trabalho todos os dias: pessoas que lutam para viver. Gente que extrai até a última gota de vida que lhes pertence.
Não importa a dor. Não importa os contras.
Alguém que desafie isso deve possuir o mínimo de coragem, é verdade. Diria até um tom desafiador.

Mas veio o segundo. Aquele em que você muda de opinião.
Até que ponto essa coragem de não viver é maior que a vontade de ficar?
É maior que a coragem de enfrentar a doença?
É maior que a coragem de largar o cigarro?
É maior que a vontade de encontrar o amor?
É maior que a vontade de compartilhar mais segundos com quem se ama?
É maior que a coragem de mudar as coisas?
Mais fácil é passar a vida com centenas de pessoas superficiais ou abrir sua alma para algumas?

Não sei.
Fácil mesmo é se conformar.
Fácil mesmo é encontrar uma desculpa para não mudar o mundo; que o esforço não vale a pena.

Vimamos então os segundos. Como uma grande loteria, na qual você mesmo é quem escolhe os números.
Façamos figa. Pensemos no nosso número mágico.
O que é certo ou errado? Não sei. Quem sou eu pra lhe dizer o que fazer dos segundos. Mais um mero ser que habita este planeta.
Igual a você.
Não se pode julgar os atos de alguém quando não se têm nem certeza dos seus.
Não se pode explicar para alguém o amor se você mesmo nem sabe o que é isso.
São os seus segundos.

Os meus, sim, digo primeiros. 
Na minha própria vida devo ser a rainha. Dos meus primeiros, decido eu.
Portanto, aconselho você pelo mesmo. Ser o rei e rainha dos seus segundos. Segundo sua própria vontade.
Não como alguém que segue passivamente as correntes do mundo; mas como alguém que têm consciência dos passos que dá.

E se me perguntarem se quero viver muito, eu digo: sim.
Pois prefiro 60 à 30 anos bem vividos.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Juramento - Parte II


Darei aos meus mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.










Chegamos aqui numa parte bem especial do discurso: os mestres.
Quantos de nós ao ler rapidamente esta frase não irá se perguntar."Mas como?! Como agradecer aquele professor chato, aquele que não dava aula, aquele que cobrava toda a materia sem dar recurso, aquele que nem cobrava?"

Difícil?
Eu diria, não.
Todo o segredo desta frase gira ao redor de uma única palavra, que vêm aos nosso olhos, de uma maneira especial agora

Mestre


Um Professor nem sempre é Mestre.
Hipócrates 377a.c já sabia disso.
Quando somos acadêmicos, não falo isso com nenhum sentido de inferioridade, somos um projeto em formação. A universidade não nos ensina tudo.
Nada nos ensina tudo.
Não saímos de lá prontos, como uma obra que tem prazo a ser cumprido em seis anos. Definitivamente não. Muitos acabamentos só serão feitos mais tarde, o que pode demorar muitas vezes meses, anos e até décadas a serem feitos.
Podem nunca ser feitos.
Sinceramente, quem faz medicina, na minha mera opinião, nunca está "acabado".
Eu mesma já fui muito chata, e ainda sou até hoje.
Mas sempre que vejo alguém mais novo, tento ter paciência e atenção com ele.
O acadêmico nada mais é do que a criança cuidada pelo Mestre.
Existem muitos tipos de crianças. 
Criança é peralta, travessa, manhosa às vezes, mas entre todas elas, há uma coisa em comum: formação.
Toda criança ainda é um objeto a ser moldado, um projeto da construção que está sendo levantada, e pode ter a influência de diversos projetos ao redor...
Toda criança que está empolgada com um novo brinquedo que gosta muito se exibe um pouco com ele, se orgulha de tê-lo. O Mestre não se aborrece, mas ri e lembra de como já foi criança um dia..



mestre que é Mestre não toma o brinquedo da criança, e sim ensina a criança a como utilizar o brinquedo.
mestre que é Mestre não quebra o brinquedo, e sim o guarda, explicando para a criança que o brinquedo não é a única coisa importante na sua vida e que sempre existirão outros valores a serem creditados.
mestre que é Mestre não julga a criança, muito menos a condena às mesmas leis dos adultos, e sim ensina-a com o seu erro e com o seu exemplo.
 mestre que é Mestre não grita nem bate na criança, e sim impõe seu respeito falando claramente e firme, e a faz entender as consequências dos seus atos.
 mestre que é Mestre não deixa de responder a criança a pergunta mais tola e abstrata do planeta, e sim ensina-a a procurar onde aprender...
mestre que é Mestre não deixa de ouvir a criança por acreditar que ela sempre estará errada, mas sim fica feliz pois terá a oportunidade de ensiná-la o que ele acha certo.
mestre que é Mestre não se aborrece com a criança, porque sabe a influência que ele possui nela e da importância de seus ensinamentos para o futuro.
 As crianças sempre foram a esperança.

Se alguma coisa deve mudar, que comecemos pelas bases. 

Tive muitos professores que me ensinaram conteúdo. Muitos que me deram provas, observações, notas. 
Muitos me ensinaram, ou me cobraram teoria e montaram certas bases.
Mas Mestres, foram menos. Não se ensina a ser Mestre. Deve-se ser e gostar de ser um.

Aos Mestres eu deixo aqui o meu muito obrigado.

Tenho certeza que os verdadeiros Mestres não se importaram com os nossos erros, assim como tenho a certeza e que nenhum de nós quer decepcioná-los.

Aos que não foram mestres, bem, esses eu agradeço também. Estes me ensinaram a ter uma referência contrária, à saber que existem dois lados de uma mesma moeda em tudo nessa vida. E como Hipócrates disse, mesmo eles eu devo o meu reconhecimento. 
Respeito, sim, como devemos respeitar qualquer ser humano. 
Autoridade e admiração, nem tanto. 
Isso não se impõe, e sim se conquista.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Juramento - Parte I : Princípio Básico

 Prometo solenemente dedicar a minha vida a serviço da Humanidade...




As pernas dela doem. Os olhos fecham e abrem lentamente. O cansaço é tamanho, que não ela nem mesmo consegue relaxar por completo.
Foi um dia corrido na emergência. Quase dois dias entre pacientes, caos e defesas.
Sim, muitas vezes temos que ser o juízo e a defesa da ocasião.
E entre as preocupações na vida e os afazeres e obrigações, você pode pensar que ela está infeliz.
Mas eu digo: não.
Cansada, bastante.
Mas ela não infeliz.
A única coisa que ela lembra destes dias é da dona Joaquina, que entrou no atendimento incosciente, respirando profundo, cercada de familiares nas suas aflições: o desespero do amor. E recapta na mente como ela já até conseguia se comunicar com seus familiares ao sair da emergência.
Aquilo era um pequeno passo para ela, um grande passo para dona Joaquina, e a certeza de uma ínfima parte de uma jornada longa e árdua que ainda se perpetuaria por longos e longos anos. 
A intensidade com que vivia a medicina, nunca foi antes como era agora, dedicando dias e noites, sendo cobrada, cumprindo obrigações, era por vezes estafante. Consumia alguns nervos. Esgotava muita calma.
Mas ela era feliz.

Ele se cansou de tudo aquilo. Embora odiasse ficar ali, só conseguia lembrar dos últimos plantões as contas que ele fazia entre um paciente e outro.  Pedia a si mesmo um pouco de paciência. Aguentava a dor. Os desrespeitos. As calúnias. Quanta ingorância! Precisava ficar, arranjar uma saída. Fazer um plano.
Mas nem sempre os planos vêm tão fáceis assim...

Prometer dedicar uma vida.
Pense comigo e me responda honestamente dentre todas as coisas que você conhece:

                                 ''O que valeria uma vida? ''

Difícil, não?

A Medicina é uma raiz que você próprío plantou lá.Primeiro pequena, exige cuidados.
Você cuida. Ela cresce.
Cresce até que toma o seu espaço, e quando vê, já tomou toda a terra e exige um vaso cada vez maior...
Cada vez mais temos que ser grandes. Maiores. Melhorar. Aprender com os erros. Que erros? Dedicar-se.
Entendo bem quando muitos médicos hoje pensam em qualidade de vida.
Nem todos estamos sempre prontos para tanta dedicação assim. São muitas exigências, cobranças. Existem certos graus e tipos de dedicação que cada área exige.
Sua vida não para, não espera suas graduações.
Sempre estará lá. As coisas continuaram acontecendo.
Os fatos vão desenrolar-se, as pessoas surgem, irão ou permanecerão.
Qual será o plano?
Um vez médico, para sempre médico.
Mas é importante lembrar.
É uma escolha.

Entendo os pacientes que reclamam de certos tipos de médicos. Médicos insatisfeitos, infelizes consigo mesmos. Médicos felizes, mas já impacientes em ter a mesma rotina, em responder as mesmas perguntas.
Mas é importante lembrar.
A Medicina é uma raiz que você próprío plantou lá.Então deixo vocês com ela....

Ela



Não é sempre cura, mas é alívio.
Não é sempre alívio, mas é conforto.
Não é sempre conforto, mas é verdade.
Não é sempre verdade, mas é caridade.
Não é sempre caridade, mas é justiça.
Não é sempre justiça, mas é bondade
Não é sempre bondade, mas é humana e imperfeita
Não é sempre humana, mas é profissão
Não é sempre  profissão, mas é sempre uma vida
Uma vida 
A zelar
Outra vida.
Quem por nós?
Uma escolha.
Viva bem 
Aquele quem 
Escolhe bem

domingo, 15 de agosto de 2010

Dia do Solteiro



Hoje, Dia do Solteiro, não resisti, e tive que linhar algumas palavras
Não sei quem foi quem inventou essa coisa de "Príncipe Encantado", ou de Amor para uma vida inteira.
Se num breve instante colocarmos nossas mentes preguiçosas para exercer um raciocínio lógico chegaremos a pergunta crucial.

Responda bem dentro de si.




Será possível amar mais de uma única pessoa pessoa uma vida inteira?

A resposta vem bem rápido.
Entretanto, ouso em me contradizer e  afirmo: depende. Depende do conceito desse objeto famoso entre todos nós: o tal do Amor.

Amar é bem diferente de sentir atração.
É bem diferente de ter respeito.
É bem diferente de ter carinho.
É bem diferente do que costumamos pensar.
Amar é um bem querer. Sentimento simples, que de tão simples que é, envolve e mistura-se à muitos outros sentimentos.
Assim, é bem previsível confusões.
Se amar significar para você um sentimento de atração e admiração entre duas pessoas,
Se amar significa importar-se com alguém,
Se amar significa querer o bem de alguém
pode-se sim amar mais de uma pessoa.
Podemos, sim,e DEVEMOS amar mais de uma pessoa.
Por que não podemos dividir um sentimento tão bonito entre todos nós:?

Agora se Amar significar Fidelidade, bem, estaremos nadando entre rios mais profundos.
As pessoas juram fidelidade umas às outras por princípios. Princípios pessoais e regidos em parte pela sociedade. Conjunturas que as fazem querer mostrar respeito e dedicação aquela única pessoa.
Se você quer ser fiel (observe  bem o verbo utilizado QUER), se é de seu desejo e livre vontade, pratica a fidelidade.
Isso é único e extremamente pessoal.
Se duas pessoas se encontram, e querem por si próprias, prometerem uma à outra passar em tempo de suas vidas em convivência exclusiva, nada deve impedi-las.
Não vejo nada errado nisso.
Cada uma delas tem a consiência de que é possivel sim, sentir atração, admiração e amor por outras pessoas. Contudo isso não é mais significativo para elas do que se criar uma única relação, com um vínculo mais forte e mais consistente entre si, que por isso terá uma importância muito maior em suas vidas.
Pelo menos assim deveria ser.
Entretanto, as pessoas insistem em relocar fidelidade como algo social. Algo justificando entre todos um comportamento pessoal.
Não amigos, a fidelildade deve estar dentro de você.
Não se cobra fidelidade.
Não se dá fidelidade.
Fidelidade deve ser uma vontade própria, um desejo.
Se não se é capaz de realizá-lo, se não há vontade em tê-lo, não há de se jurar fidelidade.
Pelo menos assim deveria ser.
Portanto, não cobre a fidelidade de ninguém. Se está cobrando-a, você nem a tem...
Não jure fidelidade a ninguém sem tê-la, seja pelo motivo que for (por pressão social, comodismo, egoísmo).
Que mal há em curtir  a vida e aproveitar as oportunidades que se deseja?
Desde que não enganando ou desrespeitando ninguém.
A sinceridade é e sempre será o princípio dos livres.
Não vejo nada errado nisso.
Vivamos então nossas solterices, em busca cada um de nós, o que nos satisfaz melhor.
Em busca da nossa felicidade.

sábado, 14 de agosto de 2010

O juramento

De todas as promessas que fiz, absolutamente, esta foi a mais difícil. Jurar.
Jurar que há de se ter honra com vidas.
Alguns podem até se admirar tanta dificuldade num princípio tão simples.
Proponho-me a explicar toda magnitude da profissão médica em meros textos.
Acredito que só assim , ouvindo pacientes e médicos, será possível melhorar a comunicação entre os dois lados de um mesmo objetivo.
A vida.

Os próximos textos, em ordem aleatória de pubicação, exemplificarão muito o que quero dizer.
Espero que eles ajudem pacientes, acadêmicos e outros profissionais, incluindo eu mesma, nessa jornada longa e árdua que é a arte de curar.

Eis aqui o juramento


"        Prometo solenemente dedicar a minha vida a serviço da Humanidade.
        Darei aos meus mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.
        Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.
        A saúde do meu paciente será minha primeira preocupação.
        Mesmo após a morte, respeitarei os segredos que a mim foram confiados.
        Manterei, por todos os meios ao meu alcance, a honra da profissão médica.
        Os meus colegas serão meus irmãos.
        Não deixarei de exercer meu dever de tratar o paciente em função de idade, doença, deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação político-partidária, raça, orientação sexual, condições sociais ou econômicas.
        Terei respeito absoluto pela vida humana e jamais farei uso dos meus conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade.
        Faço essas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra."






Aguardem...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Biografia

Perdoem-me se o dia dos pais é um dia um tanto "comum" para mim. Não que eu seja frívola, seca ou qualquer coisa tão rígida assim. Pelo contrário. Toda essa coisa de amar consome bem mais tempo dentro de mim do que deveria. Amar é bom. Amar demais, é sofrer. Até um
Entretanto, a despeito de tanto amor por essas artérias, e desafiando as leis da sociedade eu nasci.
Eu nasci no lugar errado. Na hora errada. Em vim ao mundo assim, a forma errada, para me tranformar até mesmo sem querer numa pessoa meio certa.
Tudo o que sou, não passa de uma bela travessura do destino.
Minha história é assim.
Quando eu nasci Deus me disse, vai Izabella, com seu nome torto, escrever direito essa tua vida.
Eu nasci.
Nasci num berço que era da Misericórdia.
Logo descobri que aquele seria o melhor berço que o meu sangue poderia dar para mim.
Eu cresci um pouco. Mas antes de me lembrar disso, meu pai já havia ido ter a conversa dele com Deus, antes mesmo de eu conseguir falar alguma palavra com ele.
E daí, sem berço, sem terço, sem pai, e um sangue sem juízo, foi que a vó, (sempre as vós com o bom senso na cabeça) decidiu a madrinha.
Eita destino! A avó decidiu, e eu ganhei de prêmio, antes de saber o que era isso, um futuro na vida.
Eu cresci.
No meio de gatos, cachorros colegas de escola e de livros. Não muitos livros. Mas o suficiente para eu descobrir que havia um mundo lá fora.
Eu sempre fui curiosa.

E eu assim, com essa curiosidade, fui desvendar o mundo. Ou pelo menos, uma parteínfima dele.
Eu cresci mais. E no mais que me faltasse um pai, fui rodeda de mães. Mulheres, que eram mulher e homem num só. Mulheres de força. Mulheres sem jeito pra lidar com os afetos. Mulheres as quais vida ensinou a ser forte.   E todo forte, tem um escudo que protege.
E de laços, formei uns mais fortes do que qualquer sangue pode dar: os laços da criação.
Sempre soube quem era o meu sangue.  Não que isso não depertasse meu apreço. Mas não se constrói em algumas oportunidades laços tecidos todos os dias durante 23 anos...
Não sou revolta. Não me sobram lesões psicológicas.
Pelo contrário.
Sei que fui "a escolhida" para uma missão maior.
No dia dos pais, rezo pelo meu.
E lembro de como as minhas mães foram mães e pais ao mesmo tempo.
No dia dos pais lembro que é bom sim, ter uma figura masculina ao seu lado, que suporte, que seja a força.
E lembro que é possível tudo isso sem tê-la.



Um beijo ao meu pai. Que Deus o tenha.
Uma lembrança às minhas mães.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Escrever

Escrever é para algumas pessoas quase como respirar. Uma necessidade.
Comigo acontece em surtos.
Uma idéia dominando a minha mente, uma simples vontade de desabafar. Você acaba jogando tudo isso em palavras, o mais rápido possível, antes que elas se percam dentro de você mesmo.
Não sei quem me ensinou isso. Acho que já nasci programada. Veio incutido em mim o gene das palavras.
Gosto de falar, e nem precisa ser para os outros. Na grande maioria, falo comigo mesma, quase todo o tempo. Desde muito tempo atrás. Meu primeiro diário foi com 10 anos. E nele, já se via toda a alma pessimista e adoradora Romântica. Cresci. Mudei de estilo. Todavia, as palavras ainda me vêm, as vontades ainda são muitas.
O mundo das palavras é algo completamente particular. Ele encanta, diverte, comove, te faz rir. Tocar alguém com palavras é quase uma dádiva. Poucas pessoas têm de verdade esse dom. Grandes mestres da língua potuguesa.
Quem toca o outro com palavras tem um dos maiores poder deste mundo:o convencimento. Basta saber usá-lo.
Se alguém por aí interpretar qualquer pontada de narcisismo,não se engane. Minha timidez me impediu muito e me impede até hoje de evoluir com meus textos. Durante muito tempo, escondi-os naquela caixinha do armário.
Nem de longe quero me comparar aos grandes Mestres. Escrevo para mim. Para acalmar minha alma.
Para até descobrir quem eu sou.
Por isso, não recrimine quem escreve.
As palavras são em diversas circunstâncias são uma fuga, um grito do eu.
É sempre bom tentar compreender alguém que grita.
No fundo, ele quer ser ouvido.



quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sentimentos

A tristeza nasce como o amor: imprevisível; inerente; universal.
A grande diferença está no fato de que a tristeza é único sentimento, de única característica, que varia apenas de intensidade. Qualquer pessoa no mundo irá saber exatamente o que se passa dentro de mim se eu disser em palavras traduzidas: "Estou triste."
Entender, é certo.
Explicar,mais díficil.
Entre as muitas coisas da vida que não tem definição. Tristeza dói, incomoda, todos nós sabemos como, mas ninguém sabe onde e o mecanismo exato.
Já que falamos de dor, quem aí consegue definí-la?
Vejo a dor, trabalho com ela e sei o mecanismo. Como dizer então que uma pessoa é mais suscetível do que outra? Como medi-la? Como então, subestimá-la?
Defina-me o que você sente na dor da tristeza. Aperto? Sofrimento? Desagradável? Tudo ao mesmo tempo?
No mundo dos sentimentos não existem definições.
Sentimentos são meras palavras, que essencias ao vocabulário, expressam aquilo que é único, singular. Quem inventou essas letras mal poderia imaginar o quanto de significado elas poderiam carregar em si.
Você as ouve, sente e pode trasmitir uma idéia ao próximo com uma palavra somente. Conceitos que humanos não sabem explicar, mas entendem muito bem.
Aliás, sentimento é outra coisa que não possui explicação. Como definir o não concreto, carregado de subjetivismo?" Algo por dentro, o não físico. O Abstrato."
Aliás,sentimento é outra coisa encaixada nas nossas listas do "sem definição".
Se me pedissem para ser um "Aurélio",eu até tentaria conceituar muitas palavras por aí.
Decepção,por exemplo, daria até para criar um estilo dicionarístico.

"Decepção(substantivo de inferioridade): Sinônimo de frustração associada à certa caraga de tristeza. Queda completa da esperança. Ver alguém do seu ego cair. Imagem do esperado ou almejado desfeita"

A clássica:

"Amor(substantivo universal): Ato de apreciação, gostar de algo ou pessoa. Qurer estar perto, ou não. Querer bem, ou não. Estar feliz, ou não. Completo, ou desolado.
Depende do referencial adotado."
Difícil mesmo é encontrar alguém que não sinta nada.
Dentre as poucas certezas que tive pensando tudo, tenho apenas uma: sentir.
Não me admira muitas pessoas terem medo disso. O mundo dos sentimentos é bem diferente do mundo das palavras. É algo que não se controla, e mesmo o controle traz outro sentimento tentando proteger-se de algum.
Sentir é inevitável. É humano. Aproveitando:

"Humano(substantivo de relatividade): Ser com capacidade de pensar e sentir, tendo consciência do que é isso. Ser bom, e não. Ser alegre, e triste. Ser perfeito e não. Ser físico e abstrato ao mesmo tempo"

Não tenham medo.
É mais fácil admitir a si mesmo o que se passa e tentar executar as decisões para o mundo afora depois disso, do que não sentí-los. Eles sempre estarão lá, guardados em caixinhas, prontos para despertar sob o menor sinal de falta de vigílio.
Você é, verdadeiramente, o que você sente.
E é isso que nos faz "humanos".
Sentir.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em tempos de copa

Em tempos de copa coisas estranhas acontecem...

Em tempos de copa vejo as cores verde e amarelo num volume e proporção as quais não vejo em outros momentos, nem mesmo nas Olimpíadas.
Vejo aquelas estrelas brancas de fundo azul saírem do armário empoeirado. Flanelas, camisas, shorts, saias, um guarda roupa inteiro verde e amarelo.
Vejo as pessoas cantando o hino nacional. E sempre tem alguém nos lembrando que o nosso é o hino mais bonito. ..
Vejo o orgulho de ser brasileiro, mesmo que a gente saiba dentro de cada um de nós bons motivos para se envergonhar disso.
Em tempos de copa vejo uma casa, uma rua, uma cidade, um país inteiro simplesmente parar em frente à tv.
Ouço fogos. Gritos. Ecos da palavra Gol.
Vejo preguiça também. Além de uma boa desculpa para uma cervejinha com os amigos.
Vejo cobranças, motivação para julgar aquilo que não achamos certo.

Se perguntarem pra mim se acho que o povo brasileiro é patriota, acho que vou dizer: sim, pelo menos em tempos de copa.

Em tempos de copa vejo o patriotismo.
Em tempos de copa, assim como outros tempos, esquecemos de grandes problemas, e nos lembramos de outros poucos.
Queria mesmo que esse sentimento durasse até as eleições.
Queria que aquelas caras pintadas do século passado fizessem algo, além da copa. Que as caras voltassem às ruas, que lutassem pelos seus direitos.Que fizessem seus direitos serem ouvidos.

Queria mesmo que cada um daqueles homens que vestem a nossa camisa, soubesse que representam sim a felicidade de milhões de pessoas, mesmo que seja pelas meras 24 horas pós jogo.

Melhor mesmo, se cada um daqueles que veste palitós, soubesse que representam sim a felicidade de milhões de pessoas, por anos e anos após...


Queria que eles vissem como meus olhos vêem, bandeirinhas em ruas sem asfalto, bandeiras em casas de pique.

Um povo com prioridades equivocadas? Talvez.

Mas entendo esse povo, amigos.

Esse povo que acha que dinheiro não é tudo na vida.
Que vale mais a pena gastar com coisas que nos fazem felizes, do que um seguro no banco.
Qua gasta com coisas que os fazem felizes, nem que seja por um breve e efemero momento.
Respeite essa felicidade.
Quem garante que um dia ela voltará para eles?
Que nem diria o poeta:

"Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato "

Fernando Pessoa






quarta-feira, 12 de maio de 2010

Essas pessoas

Às vezes queria ser frágil.
Como entender essas pessoas que te magoam, que te fazem mal, e ainda esperam que você seja forte o suficiente para procurar perdoá-las?
Como entender alguém que não tem escrúpulos e nem tem peso na consciência diante dos seus atos falhos?
Queria ser o pedaço frágil, a parte louca, insana. A parte inconsciente, cega. A parte que não sabe andar. A parte que não sabe fazer as coisas.
Só sofremos daquilo que somos capazes de enxergar. Só quem enxerga, sabe o que está errado.
Você não vê bebês sendo julgadas por não saberem andar, idosos serem julgados por não lembrarem de tudo às vezes.
Queria ser a parte frágil.
A parte que é perdoada.
A parte que age como uma criança.
A parte que não é julgada pelos seus erros.
O mais incrível de tudo é que, por mais que vôce tente não julgar o próximo, isso sempre vai acontecer.
Inclusive quando for você.
Queria ser a parte frágil.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Rende

A tristeza rende.


Sempre que estou triste, é quando me surgem os melhores textos. A tristeza é assim, um motor de palavras.

Sempre que estou triste, converso muito comigo mesma, e me conheço melhor. É fácil julgar o outro. Difícil mesmo é julgar a si mesmo.

Sempre que estou triste, descubro um lado escuro de mim. Tenho medo dele, e tento melhora-lo cada vez mais.

Sempre que estou triste, tenho coragem de chorar profundamente. Admito que sou um ser frágil, que precisa de um tempo pra si mesmo.

Sempre que estou triste, admito os meus erros. E me envergonho de muitos deles.

Sempre que estou triste, reconheço os melhores amigos. E as vezes eles surgem de onde menos se espera.

Sempre que estou triste, encontro as melhores soluções pros meus problemas.

Sempre que estou triste, logo em seguida encontro alguém que está pior do que eu, e sempre me envergonho por me sentir triste.

Sempre que estou triste, encontro motivos pra ficar alegre. As vezes leva um tempo, mas eles estão lá.

Sempre que estou triste, eu me torno uma pessoa melhor. Pelo menos, tento.

Acho que é isso, sim.

A tristeza rende.