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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Imaginário

Olá, minha senhora, tudo bem? Bem, comigo não tá tudo bem não, mas com a senhora nao esta nada bem... Alias com a senhora ta muito pior! Perai, minha senhora,se acalme!  Eu não tenho muito jeito com as palavras. ! Eu não quero o seu mal não!  Eu só vim aqui porque preciso falar com a senhora. Preciso, não, tenho. Porque precisar mesmo, eu não preciso não! Alias, por mim eu nunca teria esta conversa com ninguém. Se eu pudesse escolher não ter que falar pra senhora o que vai acontecer, eu preferiria, mas não posso.  Alias podia, antes, quando eu fiz a escolha. Hoje já não posso mais. Porque o codigo, a ética ou seja lá o nome que as pessoas desse mundo dão pra essas coisas de fazer a coisa certa! Então eu to aqui. Com a maior das boas vontades. Enfim, eu to aqui nesse mato sem  cachorro pra fazer a coisa certa. Não, minha senhora, eu não sou certa. Eu sou tão errada ou humana quanto a senhora, não tem nada disso de Deus na terra, não.  Não minha senhora eu não sou infeliz, acredite, eu amo o que eu faço, e quando eu decidi, eu pensava que era uma coisa, mas é outra. É aquele negocio de realidade que as pessoas falam, ela veio como um banho de água fria as vezes. Não senhora. Eu não to aqui pra falar de mim. Eu to aqui pra falar da senhora. Eu to aqui pra dar má notícias. É isso mesmo que a senhora ta imaginando. É, tá muito pior do que a gente pensava. Quanto? Vixe, muito. Eu não queria dizer, mas a coisa ta feia pro seu lado. Feia, tipo, muito! Não minha senhora, não cura não... Ai, Deus! Assim a senhora parte meu coração! Não, não to dizendo que a senhora vai bater as botas, alias, eu to querendo dizer isso, mas não era pra eu dizer assim desse jeito! Isso não é coisa que se fale pra gente humana! Alias a gente não fala assim nem pra um cachorro! Não, minha senhora, nao to dizendo que a senhora é bicho, nao! To dizendo que a senhora merece mais consideração do que qualquer coisa neste mundo!! Mais que o cachorro, mais até do que eu, que sou um atrapalhado! Eu que to aqui deixando a senhora desse jeito! Não chora não, por favor! Não, nao sou eu, moça, é a doença. Nao, minha senhora, não foi Deus. Deus não faz essas coisas ruins com as pessoas não. Eu não sei! Não sei o que fez isso com a senhora, porque por mais que eu estudasse todos os livros do mundo eu não saberia lhe explicar, porque não tem explicação... A senhora nao tem culpa de nada nao. Não tem. Somos uns ratos, nos médicos.  Em certas coisas somos uns ratos! É isso mesmo, uns ratos! Minha senhorinha, não chore! A senhora é tão forte! Agüentou tanta coisa, tanto exame, tanta coisa! Se fosse eu no seu lugar eu já tinha morrido só de pensar em tanto tubo que tomaria! Eu aprendi tanto cona senhora! aprendi a ser menos Rato... Não, eu não quero morrer. E não quero que a senhor morra! Se eu pudesse escolher isso, eu também escolheria que a senhora ficasse aqui nesse mundo pra me perdoar de tudo isso. Sim, eu quero o seu bem, mesmo sem lhe conhecer. Não, isso não é pena não, é bondade no coração. Eu quero o seu bem de verdade. Queria que a senhora não tivesse que passar por tudo isso, de coração. De nada. Eu não to chorando não é um cisco no meu olho. Eu não sei quanto tempo lhe resta não. É que essas coisas,  eu vou lhe dar um número da sorte, um número assim do livro, e a senhora vai virar uma raposa. É, uma raposa, que nem a raposa do pequeno príncipe. Só que ao contrario. É, aquela que esperava ele todo o dia no mesmo horário. Se um dia chegar antes,  a senhora não vai nem tomar susto, porque nao vai nem estar aqui pra ver, e se for depois vai dizer que eu lhe  enganei. Eu nao quero lhe causar mais dor! Que isso! A ultima coisa que eu faria era mentir pra senhora! Não diga uma coisa dessas! Eu não sei o que vai ser. Só sei que vai ser difícil. Muito difícil. Que isso tudo é muito traiçoeiro. Mas eu vou estar aqui, pra lhe socorrer. Mesmo que eu nao quisesse, e olha que eu quero muito, tem o código! O que a senhora vai fazer? Como assim?! Vai viver! Tá louca?! Claro que vai! Isso demora! E dai? Pensa só: já não tem mais dinheiro que pague nada, já não tem mais tempo que importe, já nao tem mais trabalho que lhe obrigue, já não tem mais educação que lhe impeça de falar a verdade, já não tem mais coisas superficiais da vida, essas coisas que se vão, não é verdade? Nao tem briga. Nao tem discórdia. Não tem medo. Nao tem tempo. Nao tem discussão. Agora a senhora é livre. Livre pra viver sua vida. Faca o que lhe der na telha. E dai? Que seja pouco, mas que seja bem vivido, minha senhora! Claro! Pensa só quanta gente vai embora e nem se despede? Nada de desanimo! Anda, levanta dessa cama. Vem aqui, me da um abraço. Sim, é um abraço de coração. O primeiro que a senhora recebeu na vida? Eu duvido. Então, vem cá, deixa eu lhe abraçar de novo. Que é pra senhora lembrar bem desse abraço.  Eu quero que a senhora leve consigo ele para sempre. Até o dia que eu lhe encontrar do lado de lá. 
Mas é claro que a gente vai se encontrar lá. Eu não sei, mas lá deve ser muito bom, é o que dizem. Eu acredito. 
Sim, minha senhora, eu tenho certeza que esses vão ser os melhores dias da sua vida...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os Segundos

Acho  incrível a capacidade que existe em poucos segundos de mudar a sua vida.
Sim, segundos.
A vida é o tempo.
O tempo uma linha infinita, sim, aos nossos olhos, contudo, não necessariamente reta.
Pontos pequenos que definem para que lado aquela linha irá virar. Pontos que fecham circulos, que fazem uma vida quadrada, que fazem você mudar de lugar.
Os pontos, que por tempo,definimos, segundos.
Os segundos, eu diria primeiros, se me fosse dado o poder da definição.
Esses segundos, preciosos segundos de intersceção, são aqueles pontos dos cantos da linha da vida.
O segundo em que você é feito.
O segundo em que você sobrevive aos possíveis inóspitos.
O segundo em que você respira pela primeira vez.
O segundo em que você têm consciência disso pela primeira vez.
O segundo que você fala.
O segundo que você cala.
O segundo que você sente a consciência.
O segundo que você a perde por entre os dedos.
O segundo em que você decide se será apenas mais um revoltado com o mundo ou consigo mesmo.
O segundo em que você decide se será um mero modal conformacionista.
O segundo que decide se você terá filhos.
O segundo que faz você aceitá-los ou não.
O segundo que te faz uma velhinha solteirona, ou aquele que deixa o seu velho chorando sozinho no mundo.
O segundo que revela um amigo.
O segundo que tira um de você.
O segundo em que você se apaixona.
O segundo em que você sabe que não vale a pena.
O segundo em que você dorme.
O segundo em que você bate a cabeça e acorda de um pesadelo.
O segundo que decide se você está vivo ou morto.
O segundo que decide como você vai viver os seus segundos.

Eis os segundos. Que giram e rodam em torno do mundo, brincando assim, como quando éramos crianças.
São tantos giros formando um emaranhado tão complexo de conexões, tão enoveladas quanto nosso cérebro.
Assim, quem iria entender. Melhor não dar conta mesmo.
No fim, se é que existe um fim nessa linha, somos marionetes de Deus. 
Não tão passivas, mas com as próprias pilhas.
Um resultado complexo de atos.
A consequencia de nossas decisões.
Sim, decisão. Não se pode culpar Deus por algo que foi você quem decidiu.
Não se pode culpar o próximo quando você meramente aceitou a decisão dele.
Eis a beleza das marionetes.
A única coisa que se pode fazer é tomar novas decisões. Trilhar novos caminhos. Mudar a direção da linha para um rumo melhor. Tracejá-la de modo diferente.
Trilhar caminhos nunca vistos, talvez.
Fazer diferente.
Pois não se pode aprender com novos passos se eles já trilharam as mesmas barreiras milhares de vezes.
Sejamos, sim, sensatos: trilhemos caminhos seguros, talvez, mas tentando sempre pisar num solo fértil. Com as pedras e com as aventuras, mas que seja fértil.
Afinal, essa é a vida que temos de preservar.
Nossa grande dádiva. Amuleto de nossa responsabilidade também.
O que se faz com o seu maior presente?
Certa vez alguém disse: não quero viver muito. Quero aproveitar bem a minha vida. Mesmo que eu não viva muitos anos.
A principio fiquei impressionada.
Um paradoxo do que trabalho todos os dias: pessoas que lutam para viver. Gente que extrai até a última gota de vida que lhes pertence.
Não importa a dor. Não importa os contras.
Alguém que desafie isso deve possuir o mínimo de coragem, é verdade. Diria até um tom desafiador.

Mas veio o segundo. Aquele em que você muda de opinião.
Até que ponto essa coragem de não viver é maior que a vontade de ficar?
É maior que a coragem de enfrentar a doença?
É maior que a coragem de largar o cigarro?
É maior que a vontade de encontrar o amor?
É maior que a vontade de compartilhar mais segundos com quem se ama?
É maior que a coragem de mudar as coisas?
Mais fácil é passar a vida com centenas de pessoas superficiais ou abrir sua alma para algumas?

Não sei.
Fácil mesmo é se conformar.
Fácil mesmo é encontrar uma desculpa para não mudar o mundo; que o esforço não vale a pena.

Vimamos então os segundos. Como uma grande loteria, na qual você mesmo é quem escolhe os números.
Façamos figa. Pensemos no nosso número mágico.
O que é certo ou errado? Não sei. Quem sou eu pra lhe dizer o que fazer dos segundos. Mais um mero ser que habita este planeta.
Igual a você.
Não se pode julgar os atos de alguém quando não se têm nem certeza dos seus.
Não se pode explicar para alguém o amor se você mesmo nem sabe o que é isso.
São os seus segundos.

Os meus, sim, digo primeiros. 
Na minha própria vida devo ser a rainha. Dos meus primeiros, decido eu.
Portanto, aconselho você pelo mesmo. Ser o rei e rainha dos seus segundos. Segundo sua própria vontade.
Não como alguém que segue passivamente as correntes do mundo; mas como alguém que têm consciência dos passos que dá.

E se me perguntarem se quero viver muito, eu digo: sim.
Pois prefiro 60 à 30 anos bem vividos.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Desabafo

“Soft Watch at the Moment of First Explosion”, Salvador Dali, 1933









Um dia eu acordei e tive dúvida sobre a vida. 


Fiquei com medo. Tornei-me cética.
Era centrada, com linhas e passos a calculadamente dados.
Eu era o centro.
Comecei então a olhar o mundo com uma penumbra constante que caía sobre todas as coisas.
Eu era sombra.
Pensava com os números. Calculava as razões e agarrava-me às leis das probabilidades.
Eu era números.
A pessimista escondida pelos trajes do realismo.
A grande verdade é : eu tinha medo.
Medo pelos outros? Medo dos outros? Medo de ser julgada? Condenada por não conseguir?
Não.
No fundo o motivo era único.
Tinha medo de mim mesma.
Já aprendi a conviver um tanto com o julgamento dos outros que isso já não nem me incomoda tanto quanto antes fora uma dia. 
O que me incomodava mesmo é eu não saber lidar muito bem com as dececpções que eu mesma criei.
Não aceitar para mim que não fora possível.
Fui incapaz.
De como eu reagiria diante do não. 

Tinha medo do não.
Os homens não nasceram para aceitar o não
E me envolvi na capa do ceticismo por ter medo de ter esperança.
Porque os nãos são mais difíceis para quem tinha esperança antes.
Eu era centro, sombra e pessimismo.
E o pessimismo alimentava falta de coragem.
E a falta de coragem alimentava o insucesso.
A grande ironia é que era vítima dos meus próprios medos.
Até a luz chegar.
Ela entra assim, de repente em nossas vidas. Sem pedir. Sem avisar.
É como se Deus tentasse te mandar o tempo todo. Subliminares no espaço.
Um livro.
Uma música.
A decepção. 
O tempo.

Subliminares que surgem e podem nos fazer mudar.
Entretanto, aquele que está involto nas sombras e não quer sair fechará os olhos perante qualquer luz.
A luz.
Num disco.
Num gesto
No afeto.

Num amigo.

Nesses dias de luz, a gente não tem dúvidas sobre a vida.
Basta que você caçe a luz.
Mas seja delicado, veloz e decidido.
Pois Oportunidades são penas, que caem oblíquas à corrente de ar...
Não espere uma trajetória linear...

Quando olhamos vários pontos de perto,  podemos não estar à uma distância sufuciente para exergar a imagem..
Já diziam as leias da física.
Traços se cruzam no infinito
Tempo muda como a velocidade da luz
Porque a vida é assim, enigmática.

Os traços, os riscos e rabiscos poderão sempre ser luz.
A escuridão pode ser luz.
Pois só no escuro a fresta aparecerá.
E só com o negro saberemos que o branco existe, e que ele é a reunião de todas as cores.
Acredito nas leis da física.
Nas leis das probabilidades.
E sei que numa hora desses, a moeda cairá do lado contrário.
E neste dia estarei mais forte, pois já conheço a escuridão.
A moeda mudará de lado.
É só uma questão do número de jogadas.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

É proibido





 É proibido
Pablo Neruda

"Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual."

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As pessoas grandes



Temos uma necessidade extrema de sabermos o que acontece, o por quê acontece.
Muitas até tentamos prever o que irá acontecer.
Planejamos.
Controlamos todos os fatores ao nosso redor.
Domínio sobre o meio.
Quer saber? Não quero ser mais uma pessoa grande.
Quero ser Grande.
As pessoas Grandes não se importam com o futuro, pelo menos não com os minimos detalhes dele. Elas simplesmente vêem o presente como a maior dávida que temos.
Elas fazem o agora.
Agora.
Existiram muitas vezes nessa vida em que fui uma pessoa grande.
Mesmo criança, por vezes me via agindo como uma pessoa grande.
As pessoas grandes não nascem grandes: aprendem a ser.
De fato:


As pessoas grandes nem sempre são Grandes. 

Quem percebe a grande ironia de Antonie, entende muito bem isto.
Como um belisco discreto no orgulho adulto, ele evoca os grandes justamente como pessoas de alma pequena. Aquelas sem a alma do Pequeno Príncipe.
E nos diz, assim, discretamente, que nossa alma costumava ser maior à infância.
Por que?
Porque as crianças têm esperança.
Elas só não as têm, como são as representantes vivas dela.
Hoje entendo o que ele quis dizer: idade não quer nem de longe dizer o que é sabedoria.
Sabedoria não quer nem de longe dizer ser grande.
Pelo contrário.
O verdadeiro sábio sabe ser pequeno. Reconhece suas falhas e sabe que deixar o orgulho de lado sendo simplesmente pequeno para alguém é muitas das vezes a solução mais razoável de todas...
Portanto, digo: deixem-se ser pequenos.
No início é difícil, aceitar os que as pessoas grandes fazem com os nossos corações.
Mas todo coração de pequeno príncipe hábde ter uma rosa lhe esperando com todo amor e carinho.
Todo coração de Pequeno Príncipe há de ter um amigo aviador.
Todo coração de Pequeno Príncipe há de converter uma raposa.
Convertamos assim, as raposas do mundo com nossos exemplos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O velho Pequeno Príncipe

Imagem retirada de Rvbar
Olhei bem. E vi um pedacinho de gente extremamente extraordinário,que me considerava com gravidade. Eis aqui o melhor retrato que consegui fazer dele.
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe










            Das poucas coisas que aprendi nessa vida, um terço devo às pauladas que levei na cara, um terço ao Pequeno Príncipe. O outro terço, a gente nunca aprende, e continua errando pelo meio do caminho...
Eis que um belo dia estava em São Paulo quando fui tomada por um desejo de andar, e uma busca veio à minha mente: sebos. Nada que minha rinite alérgica desejasse tanto se instalar como de hábito, contudo a palavra veio já com missão definida:  encontrar uma velha cópia do Pequeno Príncipe. 
Isso mesmo, depois de velha, eu queria ler livro de criança...
Mas já lhe conto o que você já saber há muito tempo: o Pequeno Príncipe  não é livro de crianaa, embora me encantasse muito desde esta época. É, sim, uma das maiores obras da filosofia adulta (pelo menos assim eu o considero). 
Eu semrpe fui uma criança de ler livros, estimulada para isso. E até hoje agradeço do fundo da alma as meras letrinhas coloridas que minha mãe-madrinha colocava à minha frente. Letras que tão mais tarde me encantariam, e me envolveriam com o seu mistério, pelo qual sou instigada até hoje.
Embora já não me reste tempo agora para ler, e todos os últimos livros que li nesses anos envolviam assuntos médicos, ainda tenho em mim esse lastro, que espero profundamente um dia recuperar, quando a oportunidade se fizer presente novamente.
E num desse ímpetos, fui com a nostalgia dos meus tempos de criança alimentar a minha vontade repentina de adulta. 
E lá que descobri o Sebo do Amadeu. Ao adentrar, de imediato perguntei: 
"Tem o Pequeno Príncipe?" 
O rapaz prontamente respondeu que sim, sumiu por alguns instantes, me deixou alguns segundos por entre los ácaros e meus olhos e retornou, não sei bem de onde, com um exemplar do livro na mão.
Minha alegria logo esvaiu-se quando olhei naquela direção: novinho em folha. 
Ele viu a minha tristeza e perguntou "O que foi?" 
E já prevendo a insanidade das próximas palavras respondi:
"Eu quero um velho..."
 Eu já sabia que a maior parte do mundo me acharia louca.  Já aguardava uma pergunta do tipo."Por que? Leva o novo!..." Seguida de todas as razões lógicas do mundo contemporâneo.
Mas o Amadeu já tinha lido o Pequeno Príncipe.
Ele me disse que ia encomendar, que voltasse dali há uns dias, que ele daria um jeito. Eu achei que era meio "papo-de-vendedor" dele, mas mesmo assim, me veio uma esperança.
O Amadeu havia lido o Pequeno Príncipe.
Não desisti. Fui à outros sebos. Mas nada. Todosos vendedores vinham com a mesma cópia nova de antes. 
E eu os deixava lá, com caras e bocas de interrogação. Fui na semana seguinte. E na semana seguinte. Até que retornei com o Amadeu.
Nesse outro dia, sem a mesma empolgação de antes, perguntei.
Dessa vez ele nem saiu do lugar. Esticou o braço direito, e da estante retirou-o. 
Eu o vi.
E soube que era perfeito.
E desde então, com o princepezinho, voltei de lá diferente.
Se li meu pequeno príncipe? Sim, e algumas vezes dou umas relembradas que é para eu nunca me esquecer de como ele é. Para eu nunca me esquecer.
Às vezes a gente grande esquece...
O mais importante é que já guardo o pequeno aqui no peito andando por aí comigo.

Ainda assim, tenho vontade de caregar ele de vez em quando comigo. Melho, tenho vontade de distribuir umas cópias deste livro para algumas pessoas por aí, com partes grifadas e algumas explicações nas laterais. Colocar em alguns cartazes pela cidade, talvez. Muita pretensão minha.
Sinceramente, acho que essas pessoas seriam bem mais felizes depois de colocarem um pouco do principezinho dentro de si. 
Mas filósofo que é filósofo sabe que a filosofia tem seus próprios meios e mistérios. E contradições. Devo respeitá-los.
O que o Príncipe diz para mim, pode não ser o mesmo para você
A filosofia é um mundo de cada um.
O que posso fazer é falar do Príncipe, como falo da vida e das coisas que me vêm à telha. Permitam-me abrir uma nova página somente para ele. 
Quem sabe assim o mundo fique mais bonito.


O que torna um deserto belo, disse o princepizinho, é que ele esconde um poço nalgum lugar...
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Biografia

Perdoem-me se o dia dos pais é um dia um tanto "comum" para mim. Não que eu seja frívola, seca ou qualquer coisa tão rígida assim. Pelo contrário. Toda essa coisa de amar consome bem mais tempo dentro de mim do que deveria. Amar é bom. Amar demais, é sofrer. Até um
Entretanto, a despeito de tanto amor por essas artérias, e desafiando as leis da sociedade eu nasci.
Eu nasci no lugar errado. Na hora errada. Em vim ao mundo assim, a forma errada, para me tranformar até mesmo sem querer numa pessoa meio certa.
Tudo o que sou, não passa de uma bela travessura do destino.
Minha história é assim.
Quando eu nasci Deus me disse, vai Izabella, com seu nome torto, escrever direito essa tua vida.
Eu nasci.
Nasci num berço que era da Misericórdia.
Logo descobri que aquele seria o melhor berço que o meu sangue poderia dar para mim.
Eu cresci um pouco. Mas antes de me lembrar disso, meu pai já havia ido ter a conversa dele com Deus, antes mesmo de eu conseguir falar alguma palavra com ele.
E daí, sem berço, sem terço, sem pai, e um sangue sem juízo, foi que a vó, (sempre as vós com o bom senso na cabeça) decidiu a madrinha.
Eita destino! A avó decidiu, e eu ganhei de prêmio, antes de saber o que era isso, um futuro na vida.
Eu cresci.
No meio de gatos, cachorros colegas de escola e de livros. Não muitos livros. Mas o suficiente para eu descobrir que havia um mundo lá fora.
Eu sempre fui curiosa.

E eu assim, com essa curiosidade, fui desvendar o mundo. Ou pelo menos, uma parteínfima dele.
Eu cresci mais. E no mais que me faltasse um pai, fui rodeda de mães. Mulheres, que eram mulher e homem num só. Mulheres de força. Mulheres sem jeito pra lidar com os afetos. Mulheres as quais vida ensinou a ser forte.   E todo forte, tem um escudo que protege.
E de laços, formei uns mais fortes do que qualquer sangue pode dar: os laços da criação.
Sempre soube quem era o meu sangue.  Não que isso não depertasse meu apreço. Mas não se constrói em algumas oportunidades laços tecidos todos os dias durante 23 anos...
Não sou revolta. Não me sobram lesões psicológicas.
Pelo contrário.
Sei que fui "a escolhida" para uma missão maior.
No dia dos pais, rezo pelo meu.
E lembro de como as minhas mães foram mães e pais ao mesmo tempo.
No dia dos pais lembro que é bom sim, ter uma figura masculina ao seu lado, que suporte, que seja a força.
E lembro que é possível tudo isso sem tê-la.



Um beijo ao meu pai. Que Deus o tenha.
Uma lembrança às minhas mães.

domingo, 1 de agosto de 2010

Não mata....

Ela acordou num daqueles dias em que se está pensando em alguém. Não necessariamente uma conotação sexual da afirmação, mas um pensar nostálgico, uma lembrança. Um alguém, um amigo, uma saudade.
Aquela pessoa com quem você não fala há muito tempo e de repente está lá, viva e forte na sua memória.
Isso acontecia algumas vezes. Era natural da mente randômica. Nesse dia ela quis fazer diferente. Prometeu a si mesma: vou ligar. Falarei. Terei o real interesse de saber como ele está.
Mas, não se sabe o por quê, o outro lado não atendeu. Ela ligou de novo. Fez a promessa.  Sempre fora uma mocinha de cumprir promessas. Do outro lado só se escutaram vozes,ou pior, nenhuma voz.
Ela ligou mais uma vez. E foram ofensas. Daquelas feias.
Desistiu.
O outro lado não correspondia à chamada, que não vinha do telefone,mas de um outro coração, ali na linha, calado. Antiquado até.
Chegou à uma conclusão: nunca mais culparia os chatos. Sejam eles quem quer que seja, ou da forma que vierem. Os chatos da ignorância, os chatos do pessimismo, os chatos da mal educação.
Chato que é chato só está tentando se defender de algo. Ou de alguém.
Como culpar alguém que foi magoado uma vida inteira, decepcionado a vida inteira, e ainda assim, exigir que seu coração seja nobre o suficiente para se manter vivo durante toda uma vida?
Difícil. A bondade exige muito. Fraternidade, companheirismo, perdão. Nem todos conseguem.Aí surgem os frios,os calados, os fechados, os ignorantes, os mal educados. Porque até para se educar,é preciso um coração.
Não culpe os chatos.
Chato que é chato pode estar se defendendo de si mesmo. Dos seus sentimentos. Do que ele poderia ser se não fosse chato.
A grande questão é viver essa vida de acordo com a própria filosofia.
Viver a própria vida.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Escrever

Escrever é para algumas pessoas quase como respirar. Uma necessidade.
Comigo acontece em surtos.
Uma idéia dominando a minha mente, uma simples vontade de desabafar. Você acaba jogando tudo isso em palavras, o mais rápido possível, antes que elas se percam dentro de você mesmo.
Não sei quem me ensinou isso. Acho que já nasci programada. Veio incutido em mim o gene das palavras.
Gosto de falar, e nem precisa ser para os outros. Na grande maioria, falo comigo mesma, quase todo o tempo. Desde muito tempo atrás. Meu primeiro diário foi com 10 anos. E nele, já se via toda a alma pessimista e adoradora Romântica. Cresci. Mudei de estilo. Todavia, as palavras ainda me vêm, as vontades ainda são muitas.
O mundo das palavras é algo completamente particular. Ele encanta, diverte, comove, te faz rir. Tocar alguém com palavras é quase uma dádiva. Poucas pessoas têm de verdade esse dom. Grandes mestres da língua potuguesa.
Quem toca o outro com palavras tem um dos maiores poder deste mundo:o convencimento. Basta saber usá-lo.
Se alguém por aí interpretar qualquer pontada de narcisismo,não se engane. Minha timidez me impediu muito e me impede até hoje de evoluir com meus textos. Durante muito tempo, escondi-os naquela caixinha do armário.
Nem de longe quero me comparar aos grandes Mestres. Escrevo para mim. Para acalmar minha alma.
Para até descobrir quem eu sou.
Por isso, não recrimine quem escreve.
As palavras são em diversas circunstâncias são uma fuga, um grito do eu.
É sempre bom tentar compreender alguém que grita.
No fundo, ele quer ser ouvido.