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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O velho Pequeno Príncipe

Imagem retirada de Rvbar
Olhei bem. E vi um pedacinho de gente extremamente extraordinário,que me considerava com gravidade. Eis aqui o melhor retrato que consegui fazer dele.
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe










            Das poucas coisas que aprendi nessa vida, um terço devo às pauladas que levei na cara, um terço ao Pequeno Príncipe. O outro terço, a gente nunca aprende, e continua errando pelo meio do caminho...
Eis que um belo dia estava em São Paulo quando fui tomada por um desejo de andar, e uma busca veio à minha mente: sebos. Nada que minha rinite alérgica desejasse tanto se instalar como de hábito, contudo a palavra veio já com missão definida:  encontrar uma velha cópia do Pequeno Príncipe. 
Isso mesmo, depois de velha, eu queria ler livro de criança...
Mas já lhe conto o que você já saber há muito tempo: o Pequeno Príncipe  não é livro de crianaa, embora me encantasse muito desde esta época. É, sim, uma das maiores obras da filosofia adulta (pelo menos assim eu o considero). 
Eu semrpe fui uma criança de ler livros, estimulada para isso. E até hoje agradeço do fundo da alma as meras letrinhas coloridas que minha mãe-madrinha colocava à minha frente. Letras que tão mais tarde me encantariam, e me envolveriam com o seu mistério, pelo qual sou instigada até hoje.
Embora já não me reste tempo agora para ler, e todos os últimos livros que li nesses anos envolviam assuntos médicos, ainda tenho em mim esse lastro, que espero profundamente um dia recuperar, quando a oportunidade se fizer presente novamente.
E num desse ímpetos, fui com a nostalgia dos meus tempos de criança alimentar a minha vontade repentina de adulta. 
E lá que descobri o Sebo do Amadeu. Ao adentrar, de imediato perguntei: 
"Tem o Pequeno Príncipe?" 
O rapaz prontamente respondeu que sim, sumiu por alguns instantes, me deixou alguns segundos por entre los ácaros e meus olhos e retornou, não sei bem de onde, com um exemplar do livro na mão.
Minha alegria logo esvaiu-se quando olhei naquela direção: novinho em folha. 
Ele viu a minha tristeza e perguntou "O que foi?" 
E já prevendo a insanidade das próximas palavras respondi:
"Eu quero um velho..."
 Eu já sabia que a maior parte do mundo me acharia louca.  Já aguardava uma pergunta do tipo."Por que? Leva o novo!..." Seguida de todas as razões lógicas do mundo contemporâneo.
Mas o Amadeu já tinha lido o Pequeno Príncipe.
Ele me disse que ia encomendar, que voltasse dali há uns dias, que ele daria um jeito. Eu achei que era meio "papo-de-vendedor" dele, mas mesmo assim, me veio uma esperança.
O Amadeu havia lido o Pequeno Príncipe.
Não desisti. Fui à outros sebos. Mas nada. Todosos vendedores vinham com a mesma cópia nova de antes. 
E eu os deixava lá, com caras e bocas de interrogação. Fui na semana seguinte. E na semana seguinte. Até que retornei com o Amadeu.
Nesse outro dia, sem a mesma empolgação de antes, perguntei.
Dessa vez ele nem saiu do lugar. Esticou o braço direito, e da estante retirou-o. 
Eu o vi.
E soube que era perfeito.
E desde então, com o princepezinho, voltei de lá diferente.
Se li meu pequeno príncipe? Sim, e algumas vezes dou umas relembradas que é para eu nunca me esquecer de como ele é. Para eu nunca me esquecer.
Às vezes a gente grande esquece...
O mais importante é que já guardo o pequeno aqui no peito andando por aí comigo.

Ainda assim, tenho vontade de caregar ele de vez em quando comigo. Melho, tenho vontade de distribuir umas cópias deste livro para algumas pessoas por aí, com partes grifadas e algumas explicações nas laterais. Colocar em alguns cartazes pela cidade, talvez. Muita pretensão minha.
Sinceramente, acho que essas pessoas seriam bem mais felizes depois de colocarem um pouco do principezinho dentro de si. 
Mas filósofo que é filósofo sabe que a filosofia tem seus próprios meios e mistérios. E contradições. Devo respeitá-los.
O que o Príncipe diz para mim, pode não ser o mesmo para você
A filosofia é um mundo de cada um.
O que posso fazer é falar do Príncipe, como falo da vida e das coisas que me vêm à telha. Permitam-me abrir uma nova página somente para ele. 
Quem sabe assim o mundo fique mais bonito.


O que torna um deserto belo, disse o princepizinho, é que ele esconde um poço nalgum lugar...
Saint-Exupery, O Pequeno Príncipe

sábado, 5 de dezembro de 2009

O sebo do Amadeu









Sebo Memória
Rua Cristiano 488, perto da Teodoro Sampaio
São Paulo - Brasil











Nunca entendi a compulsão que certas pessoas têm pelo novo, em todo o significado tecnológico que a palavra possui.

Talvez certas pessoas achem meio contráditório, alguém que posta textos em blogs ter uma opinião tão adversa...

No fundo do ego, quem não o é contraditório?

Muitos pensariam consigo mesmo, "É a culpa daquela coisa que não se entende bem, mas que insistimos em denominar de globalização." Aprendi a palavra na sétima série. Até hoje, ainda não tenho certeza do significado.

O novo seduz, nos conduz ao prático e à um mundo de oportunidades. Como aquele que andava por um corredor estreito e pouco iluminado vê ao caminho uma luz, a segue, e descobre um salão amplamente iluminado com diversos novos corredores e portas diferentes ao redor.

Claro, muitas destas portas não são nem de perto comuns à realidade.

Todavia, quem quer viver sempre no mundo real?

O Novo é assim, atraente, e muitas vezes necessário no mundo Contemporâneo. A moça nova e gostosa pela qual todos os homens se sentem atraídos...

E aí lembramos do Velho. O mundo dos livros, dos papéis, dos registros. O mundo das contas, do dinheiro, das coisas táteis para serem consideradas realidade.

"Que coisa mais cafona e desnecessária!" pensa o garoto. O garoto não entende, como aquilo tão "desprático", que poderia ser facilmente substituído por algo mais simples com muitos gigabytes, pode ainda ter alguma função no mundo!

Hoje, eu e uma amiga visitamos um sebo.
- Grande coisa - fala o garoto - Tem milhares pela cidade de São Paulo.
- Compra os livros pela internet! - diz o amigo dele - Deixa eu te mostrar o site, oh...

É verdade... Existem milhares deles... Entretanto, esse têm um ar um tanto especial. Livros do chão ao teto, literalmente. Corredores apertados, do tipo que você é obrigado a pedir licença para o visitante desconhecido. Uma estante apinhada de todos os tipos de discos em vinil. Você mesmo, pega a escada e procura as suas raridades, se quiser. Cheiro de livros. Cheio de livros. Tudo isso ao som de uma boa música clássica.

O acervo é impresionante, mesmo para aqueles não tão conhecedores dos nomes literários mundiais, como eu. É só pedir, que o dono do lugar se enfia corredores adentro, desaparece por alguns segundos e volta com umas três cópias de diferentes edições do seu pedido.

Alguns devem estar se perguntando: propaganda? Os objetivos aqui não têm relação comercial. A proposta do site é esta (vide texto A proposta), mostrar visões diferentes. Saber o que existe de diferente. O belo pelos olhos do outro.

Talvez tenha sido a alma do lugar que me chamou a atenção. Alma de sebo. Verdadeiro.

Tirei várias fotos, é claro. Temos que utilizar da tecnologia para bons frutos. Registro. Memória. Muito mais do que meras "tralhas" ocupando um espaço no mundo.

"Tralhas" têm seu valor, garoto. Não vamos confundir os conceitos. Não é preciso sair por aí armazenando coisas inúteis dentro de cada buraco de sua casa. Não sou a favor de energia estagnada. Nada disso.

Certas coisas se guarda, não pelo que são em si, mas por tudo o que significam, ou significaram para nós.

Como uma senhora, com certas rugas, que não pode ser tão atraente à primeira vista, pode guardar um mundo de e experiências que a moça ainda está por descobrir...

Tenho medo das novas gerações. De que fiquem perdidas nas maravilhas tecnológicas e percam o verdadeiro valor que o passado possui em nossas vidas.

O Passado é o conjunto de tudo aquilo que aconteceu e formou o que somos hoje.

Somos nós.

De uma maneira diferente e antiquada, mas somos nós.

E ninguém merece perder a si mesmo.

Em nada.