Às vezes queria ser frágil.
Como entender essas pessoas que te magoam, que te fazem mal, e ainda esperam que você seja forte o suficiente para procurar perdoá-las?
Como entender alguém que não tem escrúpulos e nem tem peso na consciência diante dos seus atos falhos?
Queria ser o pedaço frágil, a parte louca, insana. A parte inconsciente, cega. A parte que não sabe andar. A parte que não sabe fazer as coisas.
Só sofremos daquilo que somos capazes de enxergar. Só quem enxerga, sabe o que está errado.
Você não vê bebês sendo julgadas por não saberem andar, idosos serem julgados por não lembrarem de tudo às vezes.
Queria ser a parte frágil.
A parte que é perdoada.
A parte que age como uma criança.
A parte que não é julgada pelos seus erros.
O mais incrível de tudo é que, por mais que vôce tente não julgar o próximo, isso sempre vai acontecer.
Inclusive quando for você.
Queria ser a parte frágil.
Registrando a vida....
quarta-feira, 12 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Rende
A tristeza rende.
Sempre que estou triste, é quando me surgem os melhores textos. A tristeza é assim, um motor de palavras.
Sempre que estou triste, converso muito comigo mesma, e me conheço melhor. É fácil julgar o outro. Difícil mesmo é julgar a si mesmo.
Sempre que estou triste, descubro um lado escuro de mim. Tenho medo dele, e tento melhora-lo cada vez mais.
Sempre que estou triste, tenho coragem de chorar profundamente. Admito que sou um ser frágil, que precisa de um tempo pra si mesmo.
Sempre que estou triste, admito os meus erros. E me envergonho de muitos deles.
Sempre que estou triste, reconheço os melhores amigos. E as vezes eles surgem de onde menos se espera.
Sempre que estou triste, encontro as melhores soluções pros meus problemas.
Sempre que estou triste, logo em seguida encontro alguém que está pior do que eu, e sempre me envergonho por me sentir triste.
Sempre que estou triste, encontro motivos pra ficar alegre. As vezes leva um tempo, mas eles estão lá.
Sempre que estou triste, eu me torno uma pessoa melhor. Pelo menos, tento.
Acho que é isso, sim.
A tristeza rende.
Sempre que estou triste, é quando me surgem os melhores textos. A tristeza é assim, um motor de palavras.
Sempre que estou triste, converso muito comigo mesma, e me conheço melhor. É fácil julgar o outro. Difícil mesmo é julgar a si mesmo.
Sempre que estou triste, descubro um lado escuro de mim. Tenho medo dele, e tento melhora-lo cada vez mais.
Sempre que estou triste, tenho coragem de chorar profundamente. Admito que sou um ser frágil, que precisa de um tempo pra si mesmo.
Sempre que estou triste, admito os meus erros. E me envergonho de muitos deles.
Sempre que estou triste, reconheço os melhores amigos. E as vezes eles surgem de onde menos se espera.
Sempre que estou triste, encontro as melhores soluções pros meus problemas.
Sempre que estou triste, logo em seguida encontro alguém que está pior do que eu, e sempre me envergonho por me sentir triste.
Sempre que estou triste, encontro motivos pra ficar alegre. As vezes leva um tempo, mas eles estão lá.
Sempre que estou triste, eu me torno uma pessoa melhor. Pelo menos, tento.
Acho que é isso, sim.
A tristeza rende.
segunda-feira, 22 de março de 2010
A morte
Eu sou aquela que é o seu pior pesadelo. O seu medo oculto.
Eu sou o seu maior temor, a sua maior revolta, a sua maior saudade.
Eu sou aquela que te faz sentir saudade.
Aquela que te faz pensar no tempo.
Eu sou o tempo,o pouco que resta a você do que fazer com ele.
Infelizmente, eu sou o seu maior esquecimento.
Aliás, não sei nem como você consegue esquecer disso.
Os humanos têm uma coisa assim, de esquecer, de deixar pra lá as coisas com que não sabem lidar muito bem...
Tão tolinhos!
É, humanos são assim mesmo. Se acham a vida inteligente do universo. Quanta inteligecia têm em enganar a si mesmo?
Vocês vivem fazendo isso.
No final, eu vencerei.
Sempre.
No dia em que isso não acontecer, este mundo deixará de ser purgatório e será promovido à inferno.
Eu só cumpro a minha função no mundo.
Então,não venha me culpar se você não aproveita seu tempo, certo?
Desista de me sabotar. E talvez você seja um daqueles poucos que ainda conseguem empatar o jogo dizendo: "Aproveitei tudo o que podia".
Não pense que fico triste ouvindo isso.
Pelo contrário, fico feliz. Faz o meu trabalho ser menos doloroso para você.
Pena mesmo é tirar um ser pensante do mundo.
às vezes lamento, estendo o prazo, pra ver se ele consegue dar algum exemplo e convencer mais alguns, mas nem sempre dá.
Obedeço ordens superiores.
Então, o que você vai fazer do seu tempo agora?
Eu sou o seu maior temor, a sua maior revolta, a sua maior saudade.
Eu sou aquela que te faz sentir saudade.
Aquela que te faz pensar no tempo.
Eu sou o tempo,o pouco que resta a você do que fazer com ele.
Infelizmente, eu sou o seu maior esquecimento.
Aliás, não sei nem como você consegue esquecer disso.
Os humanos têm uma coisa assim, de esquecer, de deixar pra lá as coisas com que não sabem lidar muito bem...
Tão tolinhos!
É, humanos são assim mesmo. Se acham a vida inteligente do universo. Quanta inteligecia têm em enganar a si mesmo?
Vocês vivem fazendo isso.
No final, eu vencerei.
Sempre.
No dia em que isso não acontecer, este mundo deixará de ser purgatório e será promovido à inferno.
Eu só cumpro a minha função no mundo.
Então,não venha me culpar se você não aproveita seu tempo, certo?
Desista de me sabotar. E talvez você seja um daqueles poucos que ainda conseguem empatar o jogo dizendo: "Aproveitei tudo o que podia".
Não pense que fico triste ouvindo isso.
Pelo contrário, fico feliz. Faz o meu trabalho ser menos doloroso para você.
Pena mesmo é tirar um ser pensante do mundo.
às vezes lamento, estendo o prazo, pra ver se ele consegue dar algum exemplo e convencer mais alguns, mas nem sempre dá.
Obedeço ordens superiores.
Então, o que você vai fazer do seu tempo agora?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Primeiros pacientes
Antes de me formar sempre me perguntava qual seria o meu primeiro paciente. Imaginava seu rosto.
Imaginava se teria muitos problemas, a até onde eu poderia ajudá-lo. E até arriscaria um super diagnóstico.
Se me perguntassem hoje, eu tristemente iria dizer: “não lembro”. Nem sei quantas consultas, nem todos os diagnósticos. A medicina é assim, invasora. Não que eu não goste de me sentir invadida as vezes.
Quer saber coisas das quais não esquecerei? O primeiro paciente que perdi. Aliás, a primeira paciente. Ela, senhora distinta, seus 70 e poucos anos. No salão de beleza, num dia da semana. Ela era apenas uma senhora a fazer seus cabelos, e eu apenas uma estudante, indo pro cinema e indo visitar a mãe no trabalho. No salão de beleza.
Eu era um nada. Eu era o nada. Terceiro ano de faculdade, eu nem tinha ainda peso nas costas. Eu nem sabia o que era isso.
Ela parou. Foi assim de lado, se jogando para o chão, se despedindo da vida a cada segundo que se passava.
E eu, um nada, no terceiro ano, encontrei o meu peso nas costas.
Fui chamada para interceptá-la. Para lutar por ela. O nada andou em sua direção, dois segundos e um toque, o nada já sabia o que estava acontecendo. Ela parou, nos meus braços, e eu nem sabia o que era isso.
Mais alguns segundos para eu me tocar que tinha de fazer alguma coisa. “Mas o que, meu Deus?”. Olhei para meus dois amigos, estudantes, que me acompanhavam, e não vi olhos. Vi um espelho de tudo aquilo que se passava dentro de mim.
Abrir a boca, respirar por ela, colocar as mãos em seu peito, um, dois, três... Ser o coração de alguém não é uma tarefa muito fácil...
Até me interromperam. Um ser se disse médico. Mandou transportá-la de lá. Eu sabia que aquilo estava errado. Eu sabia que alguma coisa estava errada. Mas eu era apenas uma estudante de medicina. A estudante, agora com o peso nas costas.
O fim já se sabe. É o fim, e basta dizer isso.
A primeira paciente que perdi se foi, e eu nem era médica, muito menos ela era a minha paciente. Contudo, o que ela me deu, ficou em mim para sempre: o peso nas costas.
Todo médico que se preze o carrega. Com o tempo ele fica mais fácil de carregar. Com o tempo você se torna uma pessoa mais forte. Mas no fundo, todo bom médico sabe bem do que eu estou falando.
Devem estar se perguntando: “Se é tanto peso assim, porque fazer medicina?” Eu bem vos digo.
A primeira paciente que ganhei também não era minha. Eu também era uma mera acadêmica, desta vez no quinto ano. Demorei, dois anos, com o peso nas costas, de tal forma que minha coluna já estava ficando torta. Ela chegou na hora certa.
Com 37 semanas, 53 centímetros. Eu fui a primeira pessoa que ela viu no mundo. Fui a primeira pessoa que viu seu respirar, a primeira a saber que ela estava viva, e bem.
E esse dia eu também não esqueço.
No fundo acho que todo médico, só se torna um médico de verdade, no dia em que ganha o seu precioso peso nas costas.
Dói um pouco, incomoda, as vezes, mas é ele que nos faz mais fortes, que nos lembra que estamos vivos e que temos essa missão no mundo.
Seja em qualquer profissão, o importante mesmo é descobrir qual a sua função no mundo.
Se você não concorda com isso, bem, então, viva na sua bolha. Sót não se esqueça que um dia ela pode estourar.
Imaginava se teria muitos problemas, a até onde eu poderia ajudá-lo. E até arriscaria um super diagnóstico.
Se me perguntassem hoje, eu tristemente iria dizer: “não lembro”. Nem sei quantas consultas, nem todos os diagnósticos. A medicina é assim, invasora. Não que eu não goste de me sentir invadida as vezes.
Quer saber coisas das quais não esquecerei? O primeiro paciente que perdi. Aliás, a primeira paciente. Ela, senhora distinta, seus 70 e poucos anos. No salão de beleza, num dia da semana. Ela era apenas uma senhora a fazer seus cabelos, e eu apenas uma estudante, indo pro cinema e indo visitar a mãe no trabalho. No salão de beleza.
Eu era um nada. Eu era o nada. Terceiro ano de faculdade, eu nem tinha ainda peso nas costas. Eu nem sabia o que era isso.
Ela parou. Foi assim de lado, se jogando para o chão, se despedindo da vida a cada segundo que se passava.
E eu, um nada, no terceiro ano, encontrei o meu peso nas costas.
Fui chamada para interceptá-la. Para lutar por ela. O nada andou em sua direção, dois segundos e um toque, o nada já sabia o que estava acontecendo. Ela parou, nos meus braços, e eu nem sabia o que era isso.
Mais alguns segundos para eu me tocar que tinha de fazer alguma coisa. “Mas o que, meu Deus?”. Olhei para meus dois amigos, estudantes, que me acompanhavam, e não vi olhos. Vi um espelho de tudo aquilo que se passava dentro de mim.
Abrir a boca, respirar por ela, colocar as mãos em seu peito, um, dois, três... Ser o coração de alguém não é uma tarefa muito fácil...
Até me interromperam. Um ser se disse médico. Mandou transportá-la de lá. Eu sabia que aquilo estava errado. Eu sabia que alguma coisa estava errada. Mas eu era apenas uma estudante de medicina. A estudante, agora com o peso nas costas.
O fim já se sabe. É o fim, e basta dizer isso.
A primeira paciente que perdi se foi, e eu nem era médica, muito menos ela era a minha paciente. Contudo, o que ela me deu, ficou em mim para sempre: o peso nas costas.
Todo médico que se preze o carrega. Com o tempo ele fica mais fácil de carregar. Com o tempo você se torna uma pessoa mais forte. Mas no fundo, todo bom médico sabe bem do que eu estou falando.
Devem estar se perguntando: “Se é tanto peso assim, porque fazer medicina?” Eu bem vos digo.
A primeira paciente que ganhei também não era minha. Eu também era uma mera acadêmica, desta vez no quinto ano. Demorei, dois anos, com o peso nas costas, de tal forma que minha coluna já estava ficando torta. Ela chegou na hora certa.
Com 37 semanas, 53 centímetros. Eu fui a primeira pessoa que ela viu no mundo. Fui a primeira pessoa que viu seu respirar, a primeira a saber que ela estava viva, e bem.
E esse dia eu também não esqueço.
No fundo acho que todo médico, só se torna um médico de verdade, no dia em que ganha o seu precioso peso nas costas.
Dói um pouco, incomoda, as vezes, mas é ele que nos faz mais fortes, que nos lembra que estamos vivos e que temos essa missão no mundo.
Seja em qualquer profissão, o importante mesmo é descobrir qual a sua função no mundo.
Se você não concorda com isso, bem, então, viva na sua bolha. Sót não se esqueça que um dia ela pode estourar.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Enfim, médica
Todo caminho que se preze tem um começo. Um dia estivemos bem no início. Demos o primeiro passo. Cercados de amigos, parentes e desconhecidos. No início achávamos que aquilo duraria uma vida. Na verdade, esses seis anos foram uma vida.
E antes mesmo de começar nós já sabíamos que não seria fácil. Nada que valha a pena é. Não foi fácil nem pra nós, nem para aqueles que nos rodeavam.
Eis o início. Tantos sentimentos juntos, medo e orgulho, dúvidas e fraquezas, crises e desafios.
Difícil resumir em algumas linhas tudo o que se passou, todas as experiências, quantas vitórias, e derrotas, quantas emoções e aprendizados.
Quem nos vê assim de fora, muitas vezes não entende o porquê somos assim meio diferentes. Nem melhores, nem piores: apenas diferentes. A gente não sente, nem sabe dizer direito como é que acontece, mas quando você se dá conta, sua vida é a medicina. E tão difícil é compreender como a medicina vai paulatinamente tomando conta de nossas vidas.
Os primeiros a sentir são os pais.
Lá se vão embora aquelas velhas horas em casa. Alguns deixam até suas casas. Difícil sair de casa, mudar de estado, começar controlar as contas, não ter mais a comida feita da mamãe quando se chega cansado...
E mesmo para aqueles que moram com os pais não deixa de ser difícil. A semana vai ficando cheia, as cobranças chegam, os compromissos aumentam tanto, que já não cabem de segunda a sexta. Então, os finais de semana vão sendo tomados, depois lá se vão os feriados. Passar as férias assistindo televisão em casa? Que férias?! Quando você vê já se foi uma semana. Já se foi outro mês. Já se foi o semestre. E assim, os anos vão passando...
Logo em seguida, são os amigos a sentirem tal ausência. E onde estamos nós nos aniversários? Nas farras, nos encontros? Afinal de contas, em que buraco cada um de nós se enfiava? Porque gastamos tanto tempo estudando para uma prova que só vai ser na semana que vem? Difícil de entender...
E para quem pensa que a presença física era tudo, mero engano. Quantas vezes estávamos lá, mas não estávamos. Quantas vezes nossas mentes estavam preocupadas com provas, trabalhos, estágios, ou qualquer outra coisa que nos ligasse ao outro mundo. O mundo da medicina.
Mas acreditem: nós não percebemos. E mesmo quando nos damos conta, nos deixamos levar. Afinal, todo acadêmico que se preze aprende a amá-la e respeitá-la.
Respeitar a medicina é muito mais do que simplesmente estudar. É se importar com vidas. É ter ética. É pensar no futuro. É fazer o bem. Não há ninguém que tendo um coração, não se renda a isso.
E a medicina vem, vai tomando conta de cada um dos aspectos de nossas vidas. Nos toma os pais, nos toma os amigos, nos toma os namorados e namoradas, nos toma o tempo. Mas nos dá muito também. Nos dá outros amigos, e esses sim você tem certeza de que são aqueles que podemos chamar de amigos de verdade. Nos dá o conhecimento, que aprendemos nunca ser suficiente. Nos dá força e maturidade para enfrentar qualquer desafio pela frente. A medicina nos invade e nos torna uma pessoa melhor. E vai assim, com a nossa permissão, invadindo a nossa vida.
Porque, afinal, a medicina é vida também.
E tal como a vida, tem seus altos e baixos. Tem suas quedas, tem suas glórias. Suas perdas e ganhos.
Não é fácil perder. Como é indescritível a dor ao perder aquele paciente! A sensação de impotência no ar. Como é difícil tirar as mãos daquele peito e dizer: fim. A dor de não poder fazer mais nada.
Nossos pacientes não escolhem local, data ou hora. Eles só surgem para nós. E cada paciente que se vai, acreditem, não estamos prontos. Desde o primeiro, dói como se fosse a último.
Ah, mas quão bom é ganhar. Ver alguém respirar por nossas mãos. Ajudar alguém a nascer. Se todos pudessem sentir como é ver uma vida ser mantida por qualquer simples ato. A sensação de dever cumprido.
Os motivos são muitos. Cada um de nós veio aqui por um caminho, e diversas foram as trilhas tomadas no decorrer da jornada. E ainda que os objetivos sejam diferentes, todos nós temos uma coisa em comum: nós ajudamos a vida.
Não foi fácil. Cada um com a sua dificuldade. Alguns a distância, a família e amigos. Alguns enfrentaram as saudades, de quem se foi ou até mesmo de quem ainda está por aqui. Alguns com as dificuldades materiais.
Enfrentamos uns aos outros, é verdade. Mas isso nos deu discernimento ou amigos. Enfrentamos burocracias, conveniências, derrotas, e isso tudo enquanto as nossas vidas pessoais não paravam de acontecer. E acreditem, nem sempre eram acontecimentos favoráveis.
Estivemos no meio de duas perdas. Perdas que vieram tão inesperadamente. E apesar de não ser um de nós, doeram para muitos como se fosse.
Caímos, tivemos derrotas e até hoje feridas difíceis de cicatrizar. Perdemos muitas e muitas vezes, e cada mínima derrota ou acontecimento, marcou o que somos hoje. É certo que em algum momento passou por nossas mentes a palavra desistir. Tentadora, lá, pairando em nós. Mas vos digo: a maior luta que enfrentamos foi contra nós mesmos. Contra os nossos medos, angústia, cansaço, nossos próprios desejos pessoais. Enfrentamos a nós pela medicina. E isso nos faz sairmos hoje melhores de como entramos.
Impossível comparar, menos ainda julgar as dificuldades de todos. Cada um de nós sabe todas as muralhas que tivemos que derrubar. Mas hoje temos a certeza da vitória. Pois Ele lá de cima só nos dá os obstáculos que podemos ultrapassar.
Esse é ciclo da vida. Cair e erguer-se. Perdas e ganhos. Nascer e morrer.
Opostos, é bem verdade, que em um extremo nos insatisfaz, e em outro nos entedia, mas, vida que é vida tem que ser assim, feita de diferentes experiências.
Hoje se completa um ciclo de nossas vidas. Uma fase que nos pareceu tão longa no início, e passou tão rápida aos nossos olhos agora. Tão distante antes, e agora tão perto. Tão desejada e ao mesmo tempo tão assustadora. Mas esta é apenas uma das diversas estradas que vamos trilhar.
Nem todas elas serão boas, é verdade. Nem tudo será vitória, nem tudo acontece do jeito que desejamos. As experiências aparecerão, mesmo se não quisermos lidar com isso.
Mas é por honra a essa vida, tão torta algumas vezes, tão bela em outras, é com essa vida louca e inesperada que escolhemos trabalhar. Nunca se esqueçam, agora meus caros colegas de trabalho, que independente daquilo que deixamos para trás, independente daquilo que vivemos agora, e, independente de nossas futuras escolhas ou do que está por vir, nós trabalhamos com a vida, que é e sempre será o bem mais valioso que um homem pode ter.
E é por isso, pais e amigos que passamos tantas horas ausentes. Perdoe-nos por todos os momentos não vividos, pelos abraços não dados, por todos os segundos dedicados a outrem. Não teremos nunca como recuperar o tempo que passou, é verdade. Mas tudo isso foi por uma causa nobre.
E para aqueles que não se acham prontos ainda, digo: nem sempre estaremos prontos para tudo que vier, nem sempre poderemos salvar todas as vidas que encontrarmos, nem sempre poderemos curar. Mas ajudar, consolar e servir, sim, poderemos sempre. Pois o coração nobre de um homem não é feito só pelas coisas que ele faz, mas também pela intenção de fazê-lo.
Sempre queriam fazer o bem. Sempre tentem fazer o bem. Nem sempre conseguiremos, é verdade, mas naquele dia em que se conseguir, aquela conquista valerá por todas as perdas que tivemos.
Se no fim de tudo isso, você me disser: salvei apenas uma vida. Mesmo assim, tudo isso terá valido a pena. Nunca se sabe qual vida será salva. Afinal, muitas pessoas mudaram o mundo com vida só.
E antes mesmo de começar nós já sabíamos que não seria fácil. Nada que valha a pena é. Não foi fácil nem pra nós, nem para aqueles que nos rodeavam.
Eis o início. Tantos sentimentos juntos, medo e orgulho, dúvidas e fraquezas, crises e desafios.
Difícil resumir em algumas linhas tudo o que se passou, todas as experiências, quantas vitórias, e derrotas, quantas emoções e aprendizados.
Quem nos vê assim de fora, muitas vezes não entende o porquê somos assim meio diferentes. Nem melhores, nem piores: apenas diferentes. A gente não sente, nem sabe dizer direito como é que acontece, mas quando você se dá conta, sua vida é a medicina. E tão difícil é compreender como a medicina vai paulatinamente tomando conta de nossas vidas.
Os primeiros a sentir são os pais.
Lá se vão embora aquelas velhas horas em casa. Alguns deixam até suas casas. Difícil sair de casa, mudar de estado, começar controlar as contas, não ter mais a comida feita da mamãe quando se chega cansado...
E mesmo para aqueles que moram com os pais não deixa de ser difícil. A semana vai ficando cheia, as cobranças chegam, os compromissos aumentam tanto, que já não cabem de segunda a sexta. Então, os finais de semana vão sendo tomados, depois lá se vão os feriados. Passar as férias assistindo televisão em casa? Que férias?! Quando você vê já se foi uma semana. Já se foi outro mês. Já se foi o semestre. E assim, os anos vão passando...
Logo em seguida, são os amigos a sentirem tal ausência. E onde estamos nós nos aniversários? Nas farras, nos encontros? Afinal de contas, em que buraco cada um de nós se enfiava? Porque gastamos tanto tempo estudando para uma prova que só vai ser na semana que vem? Difícil de entender...
E para quem pensa que a presença física era tudo, mero engano. Quantas vezes estávamos lá, mas não estávamos. Quantas vezes nossas mentes estavam preocupadas com provas, trabalhos, estágios, ou qualquer outra coisa que nos ligasse ao outro mundo. O mundo da medicina.
Mas acreditem: nós não percebemos. E mesmo quando nos damos conta, nos deixamos levar. Afinal, todo acadêmico que se preze aprende a amá-la e respeitá-la.
Respeitar a medicina é muito mais do que simplesmente estudar. É se importar com vidas. É ter ética. É pensar no futuro. É fazer o bem. Não há ninguém que tendo um coração, não se renda a isso.
E a medicina vem, vai tomando conta de cada um dos aspectos de nossas vidas. Nos toma os pais, nos toma os amigos, nos toma os namorados e namoradas, nos toma o tempo. Mas nos dá muito também. Nos dá outros amigos, e esses sim você tem certeza de que são aqueles que podemos chamar de amigos de verdade. Nos dá o conhecimento, que aprendemos nunca ser suficiente. Nos dá força e maturidade para enfrentar qualquer desafio pela frente. A medicina nos invade e nos torna uma pessoa melhor. E vai assim, com a nossa permissão, invadindo a nossa vida.
Porque, afinal, a medicina é vida também.
E tal como a vida, tem seus altos e baixos. Tem suas quedas, tem suas glórias. Suas perdas e ganhos.
Não é fácil perder. Como é indescritível a dor ao perder aquele paciente! A sensação de impotência no ar. Como é difícil tirar as mãos daquele peito e dizer: fim. A dor de não poder fazer mais nada.
Nossos pacientes não escolhem local, data ou hora. Eles só surgem para nós. E cada paciente que se vai, acreditem, não estamos prontos. Desde o primeiro, dói como se fosse a último.
Ah, mas quão bom é ganhar. Ver alguém respirar por nossas mãos. Ajudar alguém a nascer. Se todos pudessem sentir como é ver uma vida ser mantida por qualquer simples ato. A sensação de dever cumprido.
Os motivos são muitos. Cada um de nós veio aqui por um caminho, e diversas foram as trilhas tomadas no decorrer da jornada. E ainda que os objetivos sejam diferentes, todos nós temos uma coisa em comum: nós ajudamos a vida.
Não foi fácil. Cada um com a sua dificuldade. Alguns a distância, a família e amigos. Alguns enfrentaram as saudades, de quem se foi ou até mesmo de quem ainda está por aqui. Alguns com as dificuldades materiais.
Enfrentamos uns aos outros, é verdade. Mas isso nos deu discernimento ou amigos. Enfrentamos burocracias, conveniências, derrotas, e isso tudo enquanto as nossas vidas pessoais não paravam de acontecer. E acreditem, nem sempre eram acontecimentos favoráveis.
Estivemos no meio de duas perdas. Perdas que vieram tão inesperadamente. E apesar de não ser um de nós, doeram para muitos como se fosse.
Caímos, tivemos derrotas e até hoje feridas difíceis de cicatrizar. Perdemos muitas e muitas vezes, e cada mínima derrota ou acontecimento, marcou o que somos hoje. É certo que em algum momento passou por nossas mentes a palavra desistir. Tentadora, lá, pairando em nós. Mas vos digo: a maior luta que enfrentamos foi contra nós mesmos. Contra os nossos medos, angústia, cansaço, nossos próprios desejos pessoais. Enfrentamos a nós pela medicina. E isso nos faz sairmos hoje melhores de como entramos.
Impossível comparar, menos ainda julgar as dificuldades de todos. Cada um de nós sabe todas as muralhas que tivemos que derrubar. Mas hoje temos a certeza da vitória. Pois Ele lá de cima só nos dá os obstáculos que podemos ultrapassar.
Esse é ciclo da vida. Cair e erguer-se. Perdas e ganhos. Nascer e morrer.
Opostos, é bem verdade, que em um extremo nos insatisfaz, e em outro nos entedia, mas, vida que é vida tem que ser assim, feita de diferentes experiências.
Hoje se completa um ciclo de nossas vidas. Uma fase que nos pareceu tão longa no início, e passou tão rápida aos nossos olhos agora. Tão distante antes, e agora tão perto. Tão desejada e ao mesmo tempo tão assustadora. Mas esta é apenas uma das diversas estradas que vamos trilhar.
Nem todas elas serão boas, é verdade. Nem tudo será vitória, nem tudo acontece do jeito que desejamos. As experiências aparecerão, mesmo se não quisermos lidar com isso.
Mas é por honra a essa vida, tão torta algumas vezes, tão bela em outras, é com essa vida louca e inesperada que escolhemos trabalhar. Nunca se esqueçam, agora meus caros colegas de trabalho, que independente daquilo que deixamos para trás, independente daquilo que vivemos agora, e, independente de nossas futuras escolhas ou do que está por vir, nós trabalhamos com a vida, que é e sempre será o bem mais valioso que um homem pode ter.
E é por isso, pais e amigos que passamos tantas horas ausentes. Perdoe-nos por todos os momentos não vividos, pelos abraços não dados, por todos os segundos dedicados a outrem. Não teremos nunca como recuperar o tempo que passou, é verdade. Mas tudo isso foi por uma causa nobre.
E para aqueles que não se acham prontos ainda, digo: nem sempre estaremos prontos para tudo que vier, nem sempre poderemos salvar todas as vidas que encontrarmos, nem sempre poderemos curar. Mas ajudar, consolar e servir, sim, poderemos sempre. Pois o coração nobre de um homem não é feito só pelas coisas que ele faz, mas também pela intenção de fazê-lo.
Sempre queriam fazer o bem. Sempre tentem fazer o bem. Nem sempre conseguiremos, é verdade, mas naquele dia em que se conseguir, aquela conquista valerá por todas as perdas que tivemos.
Se no fim de tudo isso, você me disser: salvei apenas uma vida. Mesmo assim, tudo isso terá valido a pena. Nunca se sabe qual vida será salva. Afinal, muitas pessoas mudaram o mundo com vida só.
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