Registrando a vida....
domingo, 28 de junho de 2020
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Dia de página - Por que escrever ?
Parece que não basta ser escritor. Millennials sempre precisam se atualizar.
Mundo contemporâneo. Vida contemporânea. Minha velha alma, sim porque eu sou uma escritora velha, que gosta de papéis e cartas, e mais ainda de papéis de carta. Aparentemente lápis e papel já não é mais o suficiente. Nem eficiente.
Para ser escritor tem que ter mais do que isso. Pincel e tinteiro já não cabem. Precisamos de dedos digitais, de reconhecimento facial, de redes sociais. Um blog, veja minha cara, já não basta. É preciso ter blog, Instagram, um site, uma página no Facebook e amigos influentes nas redes sociais.
Cansa.
Sabe por quê? Porque eu gosto mesmo é de escrever.
Concordo com as palavras de Rilke:
“O poeta precisa de solidão.”
É na solidão que ele se encontra. Cada vez mais me convenço disso.
É no fundo de nós mesmos que encontramos nossa arte.
Quero crer que encontrando minha verdadeira arte, encontraria um dia meu verdadeiro público.
Público, um receptor de antena, saber que ele existe. Sabe aquela coisa de se convencer que tem gente no mundo que pode ver um pouco mais do mundo com você? Com você. Não como você. É tipo isso.
O meu círculo social está bem distante disso.
Não é falta de amigos. Eles são vários e lindos. São as visões de mundo diferentes.
Publiquei meu primeiro livro. Uma realização. Um carinho especial com cada palavra.
Meu círculo talvez não tenha compreendido. A maioria acha bonito, algo até nobre, legal ter um livro, mas soa distante e admirável e até questionável em certo ponto.
Tive poucos retornos. Poucos e bons. Mas entender a profundidade que significou tudo isso, acredito que foi para poucos.
Compreender mesmo o que significa. Não faz parte do hall da vida da maioria deles. E eu compreendo.
Não sinto raiva. Não é isso. É só uma incompletude. Uma ânsia de partilhar e compartilhar com afins. Só isso.
É preciso amar a arte. Amar a escrita, a poesia, o desenho, a música, a arte que for; essa visão de vida que temos.
É preciso ser perseverante. Amar esse modo mágico de olhar a vida. Agarrar-se nele como um caranguejo insano. Esse modo mágico, pode parecer errado, se você está no meio da plateia sã. Pode parecer que você é o cego. Mas prefiro pensar que eu sou a esposa do médico do Ensaio de Saramago. Verei coisas ruins e boas, o pior e o melhor do homem. Não porque sou melhor que qualquer outros. É só que eu tenho um olho mágico. O olho da arte. E vejo imagens mágicas. E escrevo o que vejo. E vejo o que escrevi e reescrevo. Nesse looping constante que é respirar a vida por palavras.
É preciso amar seu modo de ver a vida.
Eu preciso amar a Iza, a bela, a escritora, o tudo que sou e que vejo.
Preciso confiar que essa visão é o que me mantém neste mundo.
É o meu refúgio, o meu eu interior que só quer fazer parte da minha vida.
segunda-feira, 15 de junho de 2020
Renascer
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Puxa-sacos
terça-feira, 24 de maio de 2016
Cadê meu pai?
terça-feira, 17 de novembro de 2015
O paraense e o Círio
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
As três Mulheres
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Cartas do Pequeno Príncipe - A Rosa
sábado, 3 de outubro de 2015
Préconceito
sábado, 8 de agosto de 2015
Sobre Príncipes e Laranjas
segunda-feira, 26 de maio de 2014
A poeta
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Imaginário
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Os Segundos
Sim, segundos.
A vida é o tempo.
O tempo uma linha infinita, sim, aos nossos olhos, contudo, não necessariamente reta.
Pontos pequenos que definem para que lado aquela linha irá virar. Pontos que fecham circulos, que fazem uma vida quadrada, que fazem você mudar de lugar.
Os pontos, que por tempo,definimos, segundos.
Os segundos, eu diria primeiros, se me fosse dado o poder da definição.
Esses segundos, preciosos segundos de intersceção, são aqueles pontos dos cantos da linha da vida.
O segundo em que você é feito.
O segundo em que você sobrevive aos possíveis inóspitos.
O segundo em que você respira pela primeira vez.
O segundo em que você têm consciência disso pela primeira vez.
O segundo que você fala.
O segundo que você cala.
O segundo que você sente a consciência.
O segundo que você a perde por entre os dedos.
O segundo em que você decide se será apenas mais um revoltado com o mundo ou consigo mesmo.
O segundo em que você decide se será um mero modal conformacionista.
O segundo que decide se você terá filhos.
O segundo que faz você aceitá-los ou não.
O segundo que te faz uma velhinha solteirona, ou aquele que deixa o seu velho chorando sozinho no mundo.
O segundo que revela um amigo.
O segundo que tira um de você.
O segundo em que você se apaixona.
O segundo em que você sabe que não vale a pena.
O segundo em que você dorme.
O segundo em que você bate a cabeça e acorda de um pesadelo.
O segundo que decide se você está vivo ou morto.
O segundo que decide como você vai viver os seus segundos.
Eis os segundos. Que giram e rodam em torno do mundo, brincando assim, como quando éramos crianças.
São tantos giros formando um emaranhado tão complexo de conexões, tão enoveladas quanto nosso cérebro.
Assim, quem iria entender. Melhor não dar conta mesmo.
No fim, se é que existe um fim nessa linha, somos marionetes de Deus.
Um resultado complexo de atos.
A consequencia de nossas decisões.
Sim, decisão. Não se pode culpar Deus por algo que foi você quem decidiu.
Não se pode culpar o próximo quando você meramente aceitou a decisão dele.
Eis a beleza das marionetes.
A única coisa que se pode fazer é tomar novas decisões. Trilhar novos caminhos. Mudar a direção da linha para um rumo melhor. Tracejá-la de modo diferente.
Trilhar caminhos nunca vistos, talvez.
Fazer diferente.
Pois não se pode aprender com novos passos se eles já trilharam as mesmas barreiras milhares de vezes.
Sejamos, sim, sensatos: trilhemos caminhos seguros, talvez, mas tentando sempre pisar num solo fértil. Com as pedras e com as aventuras, mas que seja fértil.
Afinal, essa é a vida que temos de preservar.
Nossa grande dádiva. Amuleto de nossa responsabilidade também.
O que se faz com o seu maior presente?
Certa vez alguém disse: não quero viver muito. Quero aproveitar bem a minha vida. Mesmo que eu não viva muitos anos.
A principio fiquei impressionada.
Um paradoxo do que trabalho todos os dias: pessoas que lutam para viver. Gente que extrai até a última gota de vida que lhes pertence.
Não importa a dor. Não importa os contras.
Alguém que desafie isso deve possuir o mínimo de coragem, é verdade. Diria até um tom desafiador.
Mas veio o segundo. Aquele em que você muda de opinião.
Até que ponto essa coragem de não viver é maior que a vontade de ficar?
É maior que a coragem de enfrentar a doença?
É maior que a coragem de largar o cigarro?
É maior que a vontade de encontrar o amor?
É maior que a vontade de compartilhar mais segundos com quem se ama?
É maior que a coragem de mudar as coisas?
Mais fácil é passar a vida com centenas de pessoas superficiais ou abrir sua alma para algumas?
Não sei.
Fácil mesmo é se conformar.
Fácil mesmo é encontrar uma desculpa para não mudar o mundo; que o esforço não vale a pena.
Vimamos então os segundos. Como uma grande loteria, na qual você mesmo é quem escolhe os números.
Façamos figa. Pensemos no nosso número mágico.
O que é certo ou errado? Não sei. Quem sou eu pra lhe dizer o que fazer dos segundos. Mais um mero ser que habita este planeta.
Igual a você.
Não se pode julgar os atos de alguém quando não se têm nem certeza dos seus.
Não se pode explicar para alguém o amor se você mesmo nem sabe o que é isso.
São os seus segundos.
Os meus, sim, digo primeiros.
Na minha própria vida devo ser a rainha. Dos meus primeiros, decido eu.
Portanto, aconselho você pelo mesmo. Ser o rei e rainha dos seus segundos. Segundo sua própria vontade.
Não como alguém que segue passivamente as correntes do mundo; mas como alguém que têm consciência dos passos que dá.
E se me perguntarem se quero viver muito, eu digo: sim.
Pois prefiro 60 à 30 anos bem vividos.









