sábado, 14 de agosto de 2010

O juramento

De todas as promessas que fiz, absolutamente, esta foi a mais difícil. Jurar.
Jurar que há de se ter honra com vidas.
Alguns podem até se admirar tanta dificuldade num princípio tão simples.
Proponho-me a explicar toda magnitude da profissão médica em meros textos.
Acredito que só assim , ouvindo pacientes e médicos, será possível melhorar a comunicação entre os dois lados de um mesmo objetivo.
A vida.

Os próximos textos, em ordem aleatória de pubicação, exemplificarão muito o que quero dizer.
Espero que eles ajudem pacientes, acadêmicos e outros profissionais, incluindo eu mesma, nessa jornada longa e árdua que é a arte de curar.

Eis aqui o juramento


"        Prometo solenemente dedicar a minha vida a serviço da Humanidade.
        Darei aos meus mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos.
        Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.
        A saúde do meu paciente será minha primeira preocupação.
        Mesmo após a morte, respeitarei os segredos que a mim foram confiados.
        Manterei, por todos os meios ao meu alcance, a honra da profissão médica.
        Os meus colegas serão meus irmãos.
        Não deixarei de exercer meu dever de tratar o paciente em função de idade, doença, deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação político-partidária, raça, orientação sexual, condições sociais ou econômicas.
        Terei respeito absoluto pela vida humana e jamais farei uso dos meus conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade.
        Faço essas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra."






Aguardem...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Biografia

Perdoem-me se o dia dos pais é um dia um tanto "comum" para mim. Não que eu seja frívola, seca ou qualquer coisa tão rígida assim. Pelo contrário. Toda essa coisa de amar consome bem mais tempo dentro de mim do que deveria. Amar é bom. Amar demais, é sofrer. Até um
Entretanto, a despeito de tanto amor por essas artérias, e desafiando as leis da sociedade eu nasci.
Eu nasci no lugar errado. Na hora errada. Em vim ao mundo assim, a forma errada, para me tranformar até mesmo sem querer numa pessoa meio certa.
Tudo o que sou, não passa de uma bela travessura do destino.
Minha história é assim.
Quando eu nasci Deus me disse, vai Izabella, com seu nome torto, escrever direito essa tua vida.
Eu nasci.
Nasci num berço que era da Misericórdia.
Logo descobri que aquele seria o melhor berço que o meu sangue poderia dar para mim.
Eu cresci um pouco. Mas antes de me lembrar disso, meu pai já havia ido ter a conversa dele com Deus, antes mesmo de eu conseguir falar alguma palavra com ele.
E daí, sem berço, sem terço, sem pai, e um sangue sem juízo, foi que a vó, (sempre as vós com o bom senso na cabeça) decidiu a madrinha.
Eita destino! A avó decidiu, e eu ganhei de prêmio, antes de saber o que era isso, um futuro na vida.
Eu cresci.
No meio de gatos, cachorros colegas de escola e de livros. Não muitos livros. Mas o suficiente para eu descobrir que havia um mundo lá fora.
Eu sempre fui curiosa.

E eu assim, com essa curiosidade, fui desvendar o mundo. Ou pelo menos, uma parteínfima dele.
Eu cresci mais. E no mais que me faltasse um pai, fui rodeda de mães. Mulheres, que eram mulher e homem num só. Mulheres de força. Mulheres sem jeito pra lidar com os afetos. Mulheres as quais vida ensinou a ser forte.   E todo forte, tem um escudo que protege.
E de laços, formei uns mais fortes do que qualquer sangue pode dar: os laços da criação.
Sempre soube quem era o meu sangue.  Não que isso não depertasse meu apreço. Mas não se constrói em algumas oportunidades laços tecidos todos os dias durante 23 anos...
Não sou revolta. Não me sobram lesões psicológicas.
Pelo contrário.
Sei que fui "a escolhida" para uma missão maior.
No dia dos pais, rezo pelo meu.
E lembro de como as minhas mães foram mães e pais ao mesmo tempo.
No dia dos pais lembro que é bom sim, ter uma figura masculina ao seu lado, que suporte, que seja a força.
E lembro que é possível tudo isso sem tê-la.



Um beijo ao meu pai. Que Deus o tenha.
Uma lembrança às minhas mães.

domingo, 1 de agosto de 2010

Não mata....

Ela acordou num daqueles dias em que se está pensando em alguém. Não necessariamente uma conotação sexual da afirmação, mas um pensar nostálgico, uma lembrança. Um alguém, um amigo, uma saudade.
Aquela pessoa com quem você não fala há muito tempo e de repente está lá, viva e forte na sua memória.
Isso acontecia algumas vezes. Era natural da mente randômica. Nesse dia ela quis fazer diferente. Prometeu a si mesma: vou ligar. Falarei. Terei o real interesse de saber como ele está.
Mas, não se sabe o por quê, o outro lado não atendeu. Ela ligou de novo. Fez a promessa.  Sempre fora uma mocinha de cumprir promessas. Do outro lado só se escutaram vozes,ou pior, nenhuma voz.
Ela ligou mais uma vez. E foram ofensas. Daquelas feias.
Desistiu.
O outro lado não correspondia à chamada, que não vinha do telefone,mas de um outro coração, ali na linha, calado. Antiquado até.
Chegou à uma conclusão: nunca mais culparia os chatos. Sejam eles quem quer que seja, ou da forma que vierem. Os chatos da ignorância, os chatos do pessimismo, os chatos da mal educação.
Chato que é chato só está tentando se defender de algo. Ou de alguém.
Como culpar alguém que foi magoado uma vida inteira, decepcionado a vida inteira, e ainda assim, exigir que seu coração seja nobre o suficiente para se manter vivo durante toda uma vida?
Difícil. A bondade exige muito. Fraternidade, companheirismo, perdão. Nem todos conseguem.Aí surgem os frios,os calados, os fechados, os ignorantes, os mal educados. Porque até para se educar,é preciso um coração.
Não culpe os chatos.
Chato que é chato pode estar se defendendo de si mesmo. Dos seus sentimentos. Do que ele poderia ser se não fosse chato.
A grande questão é viver essa vida de acordo com a própria filosofia.
Viver a própria vida.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Escrever

Escrever é para algumas pessoas quase como respirar. Uma necessidade.
Comigo acontece em surtos.
Uma idéia dominando a minha mente, uma simples vontade de desabafar. Você acaba jogando tudo isso em palavras, o mais rápido possível, antes que elas se percam dentro de você mesmo.
Não sei quem me ensinou isso. Acho que já nasci programada. Veio incutido em mim o gene das palavras.
Gosto de falar, e nem precisa ser para os outros. Na grande maioria, falo comigo mesma, quase todo o tempo. Desde muito tempo atrás. Meu primeiro diário foi com 10 anos. E nele, já se via toda a alma pessimista e adoradora Romântica. Cresci. Mudei de estilo. Todavia, as palavras ainda me vêm, as vontades ainda são muitas.
O mundo das palavras é algo completamente particular. Ele encanta, diverte, comove, te faz rir. Tocar alguém com palavras é quase uma dádiva. Poucas pessoas têm de verdade esse dom. Grandes mestres da língua potuguesa.
Quem toca o outro com palavras tem um dos maiores poder deste mundo:o convencimento. Basta saber usá-lo.
Se alguém por aí interpretar qualquer pontada de narcisismo,não se engane. Minha timidez me impediu muito e me impede até hoje de evoluir com meus textos. Durante muito tempo, escondi-os naquela caixinha do armário.
Nem de longe quero me comparar aos grandes Mestres. Escrevo para mim. Para acalmar minha alma.
Para até descobrir quem eu sou.
Por isso, não recrimine quem escreve.
As palavras são em diversas circunstâncias são uma fuga, um grito do eu.
É sempre bom tentar compreender alguém que grita.
No fundo, ele quer ser ouvido.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

As borboletas

Um dia disseram a ela que existia um príncipe encantado. Colocaram-no num cavalo branco. Fizeram-na brincar de boneca. Malditas bonecas. Fizeram com que ela sonhasse e até bricasse com a existência dele. Ela sonhou. Esperou por um tempo. Esperou.
Até certo ponto de sua infância  e pré-adolescência ela o esperava. Chegou até apensar que uns e outros eram "Ele", mas sempre tinha algo que não se encaixava muito bem...
Um dia, alguém muito parecido veio, e, pelos primeiros cinco minutos, agiu como se o fosse. Ela se encantou. Não entendeu nada. Sentiu o corpo arrepiar. O coração bateu forte. As pernas tremeram sem saber o que fazer. Ela não sabia o que era aquilo.
E sentiu então, pela primeira vez, as borboletas no estômago.
Sim, as tais das borboletas. Se podia ter uma certeza disso tudo, essa seria: das borboletas. Elas existem. Às vezes elas vêm na hora errada, as vezes elas nem estão no estômago mais. As vezes, e se contarmos, na grande maioria delas, surgem com a pessoa errada, no lugar e situações mais inapropriadas possíveis. É inevitável. O tremer por dentro era mais forte do que ela. Um medo misturado com prazer, uma ânsia, misturada com euforia.
A gente não escolhe quando as borboletas surgem, elas é que escolhem o "Ele".
Só que borboletas cegam. Ela não sabia disso ainda, mas iria descobrir. Todas descobrem.
Enquanto as borboletas continuavam ali, ela não conseguiu pensar.
E como todo conto há de ter sua bruxa ou lobo mal na espreita, ela pensou que quando a outra surgiu estivesse apenas cumprindo seu papel. Mas a outra era apenas mais uma princesa, que resgatou o principe dela.
Ela sabia que príncipes não eram resgatados. 
E então, aí, ela finalmente começou a desconfiar das histórias.
Ela esperou. Afinal, toda história que se preze tem seu sacrifício por parte da princesa. "Talvez ainda haja esperança". Esperança. Esperar.
Mas isso não o fez o certo "Ele". Aliás, o "Ele" nem existe. O que é certo ou errado? Não querer alguém que te queira? Não querer permanecer o resto da vida com uma única pessoa?
Uma questão de preferências.
Demorou um tempo, até que ela desfizesse toda a ilusão. Muitos "príncipes" depois, ela ainda aprendia.
Ela aprende até hoje. Até que não procurasse mais nenhum.
Mas eu não a culpo. Fomos criadas assim. Nascemos no meio de histórias de fadas. Fizeram-nos acreditar, e gostar do amor, sem nem sabermos sequer o que era, e se ele existia.
A maioria de nós passará uma vida toda sem descobrir. Não aquele amor de sonhos, utópico, fruto de toda uma aura de imaginação.
O amor, meus amigos, é algo simples que o homem não entende. É nobre e humilde. É um complexo de pequenas atitudes. Nada mais natural do que não haver exclusividade do sentimento em um único ser humano.
Mas não podemos confessar tudo. Não peça para uma mãe ensinar para a filha a realidade do mundo atual. Ela seria uma menina pessimista, astuta e fria. Não seria uma criança.
E as borboletas? Estão lá, quietas. Surgindo nela naquele que não liga. Naquele que ficará distante. Naquele complicado.  No que não pode te encontrar. No que não quer fazer isso. Naquele que você não pode ter.
Minha dica é: curtam as borboletas. Só elas nos fazem sentir vivos de verdade. Mulher foi feita organicamente para receber, cuidar e ser amada por isso, mas estamos tão acostumadas aos desafios da vida, que às vezes nos esquecemos disso. É bom ser frágil. E bom ser cuidada. É bom ser menina algumas vezes.
Contudo, não se deixem jamais serem violadas. E se algum homem puder me ouvir: respeitem as borboletas. Cada decepção que acontece, uma parte delas morrem. Por isso existem tantas mulheres vazias por aí.
Curtam, mas não matem as borboletas.
Mulher de verdade sabe como a vida é e a encara de frente. Mas com as borboletas por dentro. 
Nós precisamos delas.